Dare ga Yuusha wo Koroshita ka – CapĂ­tulo 2 – Volume 1

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Dare ga Yuusha wo Koroshita ka
Who Killed the Hero?
Quem Matou o HerĂłi?

MangĂĄ Online – CapĂ­tulo 02
[CapĂ­tulo de Maria]


— Ele tambĂ©m foi um herĂłi para mim, — Quando perguntada sobre sua relação com ele, Maria sorriu calorosamente e respondeu.

Maria-Loren, a sacerdotisa que era a curandeira no grupo do herói, agora supervisionava as operaçÔes da igreja como bispa. Desde a infùncia, Maria concedia livremente os milagres da magia de cura às pessoas, independentemente de seu status, o que lhe rendeu o título de Santa Maria.

— Nossa relação começou ainda nos tempos da academia. Um dia, ele simplesmente me abordou.

“VocĂȘ me ensinaria magia de cura?”

No começo, sabe, eu achei que ele estava tentando flertar comigo. Quando os homens se aproximavam, sempre era com esse propósito.

Maria sorriu de maneira travessa. Com seus longos cabelos negros e sedosos, pele tão branca quanto porcelana e olhos místicos, ela ainda era tão bela quanto era elogiada na épica do herói, talvez até mais refinada agora.

— Mas, quando o ouvi, percebi que ele estava falando sĂ©rio. Ele tinha a ideia equivocada de que o herĂłi era um guerreiro que podia usar tanto magia de ataque quanto magia de cura.

— O herói, originalmente, deveria ser um guerreiro capaz de usar ambas as magias, de ataque e de cura, e isso ainda deveria ser verdade, mas era mesmo uma noção tão estranha?

— Era estranho. Ou melhor, naquela Ă©poca, ter talento inato para ambas as magias, alĂ©m de se destacar como guerreiro, era considerado impossĂ­vel.

— Mas ele nĂŁo Ă© o herĂłi que pode tornar o impossĂ­vel possĂ­vel para derrotar o rei demĂŽnio?

— Colocando dessa forma, acho que sim. No entanto, por mais de duzentos anos, nenhuma pessoa assim apareceu. Ouvi dizer que, no inĂ­cio da fundação da academia, treinavam guerreiros que podiam usar tanto magia de ataque quanto de cura, mas logo pararam porque era muito ineficiente. Em primeiro lugar, magia de ataque e magia de cura sĂŁo incompatĂ­veis. A magia Ă© a arte de perceber e utilizar os princĂ­pios do mundo como mana, mas nĂłs, sacerdotes, percebemos os princĂ­pios do mundo como a graça de Deus e usamos esse poder em nome Dele. Como nossos conceitos fundamentais sĂŁo diferentes, Ă© difĂ­cil reconciliar os dois.

A natureza distinta da magia ofensiva utilizada por magos e os milagres da magia de cura ainda era um tema de debate. Embora houvesse alguns que conseguiam realizar ambas, havia a desvantagem de que as duas habilidades acabavam sendo de baixo nĂ­vel.

— AlĂ©m disso, o treinamento de um guerreiro Ă© diferente do treinamento de um sacerdote. A academia dividiu as classes por profissĂŁo para especializar e melhorar a eficiĂȘncia.

— EntĂŁo, vocĂȘ ensinou magia de cura a Ares?

— Fiquei curiosa, entĂŁo ensinei. Queria ver se alguĂ©m sem talento poderia receber a graça de Deus ou nĂŁo…

Maria era uma mulher cheia de compaixĂŁo, com um sorriso inabalĂĄvel, mas seu comentĂĄrio foi um tanto provocativo. O que, exatamente, constituĂ­a talento para ser sacerdote?

— Se podem ou nĂŁo sentir a presença de Deus—é isso. O quĂŁo devoto alguĂ©m Ă©, nĂŁo importa.

Ela negou categoricamente qualquer conexão com a devoção.

— Embora uma devoção maior possa surgir ao se sentir a presença de Deus, não se começa a sentir essa presença apenas por ser devoto. Já vi muitas pessoas mais devotas do que eu, mas, quando se trata de sentir a presença de Deus, elas não conseguem.

— Isso Ă© simplesmente talento.

Embora fosse um conhecimento amplamente aceito que os sacerdotes precisavam de um talento inato—ou seja, a graça de Deus—negar a ligação com a devoção atĂ© esse extremo era algo incomum, especialmente vindo de uma bispa.

— NĂŁo Ă© um tabu nem nada. Apenas existem muitos que nĂŁo querem admitir isso—Mas vamos voltar ao assunto. Ele era alguĂ©m sem talento ou sequer devoção, que pensava: ‘Se Deus existe, por que existem criaturas malignas?’ Um comentĂĄrio bem ousado. Mas nĂŁo Ă© incomum que guerreiros, que realmente lutam contra essas criaturas malignas, pensem dessa forma.

Quando se tratava da relação entre Deus e as criaturas malignas, havia muitos debates, mas os sacerdotes evitavam dar uma resposta clara, dizendo: “É a profunda e insondável vontade de Deus.”

— EntĂŁo, fiquei interessada. SerĂĄ que alguĂ©m sem talento ou fĂ© poderia usar magia de cura? Foi por isso que comecei a ensinĂĄ-lo.

— Ensinar magia de cura Ă© fĂĄcil?

— NĂŁo, nĂŁo Ă© fĂĄcil. Especialmente para alguĂ©m sem talento. Dizer a uma pessoa que nunca sentiu a presença de Deus para “perceber a existĂȘncia de Deus” Ă© bem difĂ­cil. É como ensinar palavras a um cachorro.

— Mas vocĂȘ conseguiu, nĂŁo foi? A lenda do herĂłi diz que Ares conseguia usar os milagres de Deus.

— Consegui? Bem, suponho que sim. Depois de receber orientaçÔes minhas, ele gradualmente começou a sentir a presença de Deus. E apĂłs mais de dois anos, finalmente conseguiu aprender magia bĂĄsica de cura.

— No fim das contas, se ele conseguiu aprender, nĂŁo Ă© um sucesso?

— Se seu objetivo Ă© ser sacerdote, vocĂȘ poderia aprender isso em cerca de um mĂȘs, mesmo sendo devagar. Na verdade, se vocĂȘ tiver o talento, poderia realizar isso inconscientemente. No entanto, no caso dele, ele nĂŁo fez nenhum progresso por dois anos. Eu nĂŁo entendia por que ele continuava se esforçando.

— Mesmo sem obter resultados, não foi por ele querer aprender magia de cura que acabou se tornando um herói?

— VocĂȘ acha? No começo, achei intrigante. Ah, de fato, os milagres dos deuses nĂŁo acontecerĂŁo para aqueles sem talento, eu pensava. Mas ele continuava praticando magia de cura, sem nenhum sinal de progresso, mesmo apĂłs dois anos. Uma pessoa comum teria desistido apĂłs trĂȘs meses sem resultados. Talvez com talento ou fĂ©, alguĂ©m pudesse persistir, mas ele nĂŁo tinha nenhum dos dois.

— Por que vocĂȘ nĂŁo conseguia entender por que Ares praticava magia de cura?

— HĂĄ rumores de que os lendĂĄrios herĂłis antigos conseguiam usar magia de cura, mas nĂŁo sei se isso Ă© verdade. AlĂ©m disso, por mais de dez anos atĂ© agora, os papĂ©is dentro de um grupo estavam bem estabelecidos. Desde que a classe de guerreiros funcione como vanguarda, nĂŁo hĂĄ necessidade de eles usarem magia de cura. Isso Ă© senso comum. EntĂŁo, nĂŁo apenas eu, mas todos na academia achavam estranho ele estar praticando magia de cura.

— Agora que vocĂȘ menciona, de fato, os guerreiros de linha de frente nĂŁo precisam necessariamente usar magia de cura. Seria conveniente se pudessem, mas desde que funcionem bem como equipe, a necessidade Ă© mĂ­nima.

— Exato. No entanto, eu apenas o ensinei sobre a existĂȘncia de Deus, e nĂŁo ficava monitorando sua prĂĄtica. Dei alguns conselhos algumas vezes, avisando-o de que ele nĂŁo tinha talento, mas, no fim, nĂŁo consegui impedi-lo.

— Mas Ares conseguiu aprender magia de cura?

— Mesmo sem talento ou fĂ©, ficou provado que ele conseguia usar magia de cura. Contudo, ele sĂł aprendeu magia bĂĄsica de cura, entĂŁo nĂŁo achei que fosse algo tĂŁo significativo. Com apenas magia bĂĄsica de cura, tudo que vocĂȘ pode fazer Ă© aliviar pequenos ferimentos e contusĂ”es. Ferimentos e dores desse nĂ­vel acabam se curando com o tempo de qualquer maneira, entĂŁo isso nĂŁo Ă© considerado algo de muita importĂąncia. Mesmo entre nĂłs, sacerdotes, era senso comum que esses danos insignificantes nĂŁo precisavam de cura durante a batalha. NĂŁo terĂ­amos fim se tivĂ©ssemos que cuidar de cada pequeno ferimento. Mas ele entendia a importĂąncia de curar atĂ© mesmo esses ferimentos menores.

— É importante curar atĂ© ferimentos pequenos?

— Mesmo que pareça trivial, deixar isso de lado vai se acumulando e claramente te atrasa. Na verdade, qualquer ferimento, grande ou pequeno, atrapalha o movimento de alguma forma, entĂŁo, se vocĂȘ quiser continuar lutando com toda a sua força, precisa curar tudo. Eu curava seus ferimentos maiores, e ele curava seus prĂłprios ferimentos menores. O estilo de luta tenaz do herĂłi nĂŁo teria sido possĂ­vel sem a magia bĂĄsica de cura.

— A Ă©pica do herĂłi elogia o espĂ­rito indomĂĄvel de Ares, que nunca sucumbiu a nenhuma dificuldade ou adversidade. EntĂŁo o segredo estava na magia bĂĄsica de cura.

— Sim, eu diria que sim. Ou melhor, ele entendeu a importĂąncia de acumular todas essas pequenas coisas. Mesmo quando monstros incrivelmente fortes apareciam, ele os derrotava acumulando ferimentos menores, e quando dificuldades aparentemente intransponĂ­veis surgiam, ele as superava acumulando esforço gradualmente. É fĂĄcil de explicar, mas levou muito tempo para fazer essas coisas. Houve vezes em que lutamos contra um inimigo por trĂȘs dias e trĂȘs noites antes de derrotĂĄ-lo, mas depois todos desmaiĂĄvamos no lugar, inconscientes. Se tivĂ©ssemos sido atacados naquele momento, terĂ­amos sido aniquilados.

Maria sorriu com carinho enquanto lembrava desses dias.

— Mas a jornada nĂŁo teria se tornado consideravelmente mais longa se vocĂȘs fizessem apenas isso?

A jornada do herĂłi nĂŁo parecia ter sido tĂŁo longa assim.

— Ah, sim, se deixĂĄssemos tudo por conta dele, a jornada teria demorado para sempre, mas Leon, Solon e, claro, eu Ă©ramos excelentes, entĂŁo geralmente resolvĂ­amos as coisas rapidamente. DizĂ­amos a ele: ‘Se deixĂĄssemos tudo nas suas mĂŁos, o rei demĂŽnio morreria de velhice.’ Todos Ă©ramos meio teimosos, entĂŁo talvez estivĂ©ssemos tentando diminuir a importĂąncia dele. Mas em momentos como esses, ele apenas ria, coçava a cabeça e dizia: ‘Obrigado, vocĂȘs me salvaram.’ Isso nos fazia sentir os tolos.

— Parece divertido, mas vocĂȘ amava Ares?

— JĂĄ respondi a essa pergunta muitas vezes. E, em cada uma delas, dou a mesma resposta: nĂŁo, eu nĂŁo amava Ares. E essa Ă© a verdade.

NĂŁo havia mentira em sua expressĂŁo.

— Existem rumores de que vocĂȘ nĂŁo consegue esquecer Ares e que permaneceu solteira por causa dele, mas…

— VocĂȘ faz perguntas muito pessoais. Eu simplesmente perdi a oportunidade de me casar. Se tivesse tido um pouco mais de coragem, poderia ter me casado hĂĄ muito tempo. Eles me chamam de santa, mas o verdadeiro eu Ă© uma pessoa muito tĂ­mida.

— Por que o herói morreu?

— É triste, mas deve ter sido a vontade de Deus. Não consigo explicar de outra forma senão dizendo que o papel de Ares como ser humano era algo assim.

Fragmento 1

Na academia, os alunos eram divididos em classes de acordo com a profissão que aspiravam— guerreiro, sacerdote, mago—mas só podiam estudar em sua área de especialização. Isso foi um erro completo.

Achei que, mesmo na classe de guerreiros, poderĂ­amos aprender magia ofensiva e de cura atĂ© certo ponto, jĂĄ que era uma escola que visava formar um herĂłi. No entanto, devido Ă  ineficiĂȘncia de ensinar combate corpo a corpo e magia simultaneamente, e, acima de tudo, por causa da aptidĂŁo inata necessĂĄria para a magia, as funçÔes foram completamente separadas.

Mas eu nĂŁo podia simplesmente desistir. O herĂłi tem que ser capaz de usar tanto magia ofensiva quanto magia de cura, e mais do que isso, eu sentia a necessidade disso pessoalmente.

— VocĂȘ me ensinaria magia de cura?

A quem chamei foi uma pessoa famosa na classe dos sacerdotes, Maria Loren. Ela era uma beleza com longos e lindos cabelos negros e pele tão branca quanto porcelana. De todas as pessoas que eu havia conhecido até então, ela era definitivamente a mulher mais bonita.

Claro, eu nĂŁo a chamei porque ela era bonita. Enquanto os outros alunos da classe dos sacerdotes estavam desesperadamente focados em suas liçÔes, ela era a Ășnica que se mostrava calma, entĂŁo eu esperava que ela pudesse me ensinar magia de cura.

Além disso, ela tinha a reputação de ser uma santa, uma mulher de bondade amorosa.

— NĂŁo acho que guerreiros precisem usar magia de cura, nĂŁo Ă©?

Ela sorriu e respondeu.

— Eu quero me tornar um herĂłi. Por isso, quero poder usar magia tambĂ©m — eu disse.

Ao ouvir isso, os olhos de Maria se arregalaram. As outras pessoas ao redor também começaram a murmurar.

— Entendo… Certamente dizem que o herĂłi Ă© assim. No entanto, agora Ă© considerado ineficiente dominar tanto a espada quanto a magia, entĂŁo nĂŁo Ă© mais algo recomendado. VocĂȘ sabia disso, certo?

— Sim, eu sei. Um professor me disse a mesma coisa e se recusou a me ensinar magia de cura.

— Oh, meu Deus, entĂŁo vocĂȘ quer que eu te ensine porque um professor se recusou?

— Exatamente. Ouvi dizer que vocĂȘ Ă© talentosa, atĂ© mesmo entre a classe dos sacerdotes, e Ă© compassiva como uma santa, entĂŁo pensei que talvez vocĂȘ pudesse me ensinar.

— NĂŁo acha que estĂĄ sendo um pouco presunçoso ao pedir isso Ă  Senhorita Maria sĂł porque ela Ă© gentil?

Interveio uma garota da classe dos sacerdotes com um rosto ligeiramente rechonchudo e severo. Sua disposição parecia mais adequada à classe dos guerreiros do que à dos sacerdotes.

— NĂŁo, eu nĂŁo me importo. — Maria disse gentilmente Ă  garota rechonchuda. — Embora seja verdade que estou longe de ser uma santa e ainda tenha muito treinamento pela frente, guiar as pessoas tambĂ©m Ă© dever de quem serve a Deus. Quando tiver tempo, ficarei feliz em te ensinar sobre Deus.

Maria sorriu com uma abundante compaixĂŁo.

Ao ouvi-la, as pessoas ao redor começaram a louvar Maria.

— Como ela Ă© bondosa!

— Como esperado de uma santa.

— Pregar os ensinamentos de Deus atĂ© mesmo para um plebeu como esse.

Na época, eu também agradeci sinceramente a Maria.

Mas mais tarde eu viria a perceber…

Não havia falsidade nas palavras dela de que estava “longe de ser uma santa.”

Algum tempo depois, enquanto eu balançava minha espada atrås do prédio da academia, Maria se aproximou de mim.

— Ares, vocĂȘ tem um momento?

— Oh, Maria. Por acaso vocĂȘ vai me ensinar magia de cura?

— NĂŁo, Ă© inĂștil ensinar magia de cura a alguĂ©m que nĂŁo consegue sentir a presença de Deus. Seria como ensinar aritmĂ©tica a um macaco. VocĂȘ entende, nĂŁo?

— …Eu suponho que mais ou menos.

Fiquei um pouco incomodado por ser comparado a um macaco, mas entendi em sua maior parte.

— Então, como posso sentir a presença de Deus?

— Por favor, me compre um pão delicioso.

Maria sorriu alegremente.

— HĂŁ? PĂŁo? O que isso tem a ver com Deus…

— VocĂȘ nĂŁo deve pensar. Deve sentir. Agora, vĂĄ comprar um pĂŁo. Depressa.

Embora eu nĂŁo entendesse muito bem, como era o aluno, corri a toda velocidade para comprar o pĂŁo.

Na loja da academia, comprei o que parecia ser o pão mais delicioso que consegui encontrar e, então, voltei com ele em mãos para trås do prédio da academia.

— O que Ă© isso?

Maria olhou para o pão que eu havia comprado com um olhar frio, como se fosse uma carcaça de inseto.

— Como assim, Ă© um pĂŁo.

— Hmm…

Maria soltou um suspiro exagerado.

— VocĂȘ nĂŁo entende, nĂŁo Ă©? Eu te disse para comprar um pĂŁo delicioso. VocĂȘ falou adequadamente com Deus? Perguntou: “Onde posso encontrar um pĂŁo delicioso?”

— Hã? Deus sabe onde tem pão gostoso?

SerĂĄ que Deus era um entusiasta de pĂŁes?

— Deus Ă© onisciente e onipotente, entĂŁo Ele sabe de tudo. Seja pĂŁo delicioso ou doces. VocĂȘ precisava perceber a presença de Deus para comprar o pĂŁo. Tentar se safar comprando pĂŁo de uma padaria prĂłxima… isso Ă© uma blasfĂȘmia contra Deus, sabia?

Parecia que procurar um pĂŁo gostoso era o primeiro passo para conhecer Deus. Pelo menos, era o que ela dizia… Mas seria verdade?

— Bem, acho que por hoje está bem. Eu sou uma pessoa misericordiosa, e estou com fome.

— Hã?

SerĂĄ que eu estava sendo usado sĂł porque ela estava com fome?

— Tenha mais cuidado da próxima vez.

Maria disse isso, pegou o pĂŁo de mim e foi embora.

Em um outro dia frio de inverno, recebi a convocação de Maria para me encontrar à beira do rio.

— Como uma pessoa misericordiosa, eu criei uma provação para vocĂȘ.

Nesse momento, nĂŁo pude evitar ter um mau pressentimento.

— Bom, veja bem, eu preferia se vocĂȘ pudesse simplesmente me ensinar de uma maneira normal.

— Do que vocĂȘ estĂĄ falando? Apesar de ter recebido orientação de um sacerdote quando era criança, vocĂȘ ainda nĂŁo conseguiu perceber a presença dos deuses, certo? NĂŁo hĂĄ como um mĂ©todo normal funcionar, concorda?

Maria exibiu uma expressĂŁo exageradamente exasperada.

— Por causa de um cordeiro lamentĂĄvel como vocĂȘ, eu criei essa provação. NĂŁo pode simplesmente aceitar?

— Quero dizer, sim, acho que, colocado dessa forma…

— Exatamente. Vamos começar, então?

Maria pegou uma pedra à beira do rio e fez uma oração sobre ela.

A pedra, abençoada por Deus, emitiu um leve brilho.

— Pegue esta pedra.

Ela me entregou a pedra, que brilhava fracamente.

— O que eu faço com isso?

— Jogue-a o mais longe que puder no rio. Quanto mais longe, melhor.

Fiz como ela mandou, mas como o rio era bastante largo, a pedra caiu bem no meio com um barulhento ploft

— Agora vá buscar.

— Hã!?

O que ela estava dizendo? Essa mulher havia sugerido algo absurdo.

— É uma pedra abençoada por Deus. Se vocĂȘ conseguir perceber a presença de Deus, deveria ser capaz de encontrĂĄ-la facilmente.

— Não, não, não, não há sentido em procurar no fundo do rio, certo?

O rio parecia ser bastante profundo, com uma correnteza forte. Eu poderia acabar me afogando. Procurar no leito do rio era um absurdo.

— Do que vocĂȘ estĂĄ falando?

Maria soltou um suspiro pesado.

— VocĂȘ nĂŁo consegue perceber a presença de Deus em sua vida cotidiana, consegue? EntĂŁo precisa se colocar em uma situação extrema, nĂŁo? Entende o que estou dizendo?

— Bem, quero dizer, colocado dessa forma, faz um certo sentido…

— Fico feliz que vocĂȘ entenda. — Maria sorriu satisfeita. — EntĂŁo, faça o seu melhor.

Pelas prĂłximas trĂȘs horas, vivi um inferno no rio congelante, procurando pela pedra.

Era como procurar uma agulha no palheiro, porque eu nem conseguia ver se a pedra estava brilhando no fundo do rio.

Quando peguei uma pedra do leito do rio e entreguei a ela,

— Seus olhos estão podres? — disse ela friamente,

E sem nenhuma simpatia, jogou a pedra de volta no rio. Ela era uma mulher sem coração.

Finalmente, apĂłs muitas repetiçÔes desse exercĂ­cio absurdo, consegui encontrar a pedra, e quando emergi do rio, Maria, com um sorriso sinistro e satisfeito, disse: — Conseguiu sentir a presença de Deus?

— Bem, de certo modo, senti a presença dele bem perto quando achei que estava prestes a ser convocado por ele.

Disse isso com um toque de sarcasmo.

— Um passo mais perto, então.

Ela nĂŁo pareceu se importar com o meu sarcasmo e apenas sorriu.

Mas eu pensei que poderia morrer com esse “um passo”…

As provaçÔes de Maria continuaram toda semana de maneira semelhante, e quando cheguei ao meu segundo ano, ainda nĂŁo havia aprendido magia de cura. A Ășnica coisa que aprendi foram as localizaçÔes das melhores padarias e confeitarias da capital.

Quando apontei esse fato para Maria, ela respondeu: — Saber onde ficam as boas docerias pode fazer as mulheres felizes. Isso serĂĄ Ăștil no futuro.

Eu nĂŁo conseguia imaginar um futuro em que me desse bem com garotas, mesmo que a Maria Ă  minha frente fosse diferente.

Eu tinha sentimentos mistos sobre a eficåcia das provaçÔes, mas como não havia mais ninguém em quem confiar para aprender magia de cura, não tive escolha senão confiar nela.

No entanto, um dia, uma mudança nos meus sentidos ocorreu. Especificamente, eu me tornei incomumente bom em encontrar pães e doces deliciosos.

SerĂĄ que consigo ouvir a voz de Deus?

Pensando nisso, recitei uma oração que havia aprendido hå muito tempo. Para minha surpresa, consegui curar um pequeno ferimento no meu braço.

— Consegui! O que a Maria disse era verdade!

Para ser honesto, eu quase tinha desistido, entĂŁo fiquei muito emocionado.

Que surpresa: Maria era realmente uma verdadeira santa!

Por que eu nĂŁo acreditei mais nela?

Se eu tivesse acreditado nela e passado pelas provaçÔes com mais dedicação, poderia ter aprendido mais cedo!

Meu coração se encheu de gratidão e desculpas a Maria.

Corri imediatamente até a classe dos sacerdotes e agradeci a Maria.

— Obrigado, Maria! Agora eu consigo usar magia de cura!

— …VocĂȘ estĂĄ falando sĂ©rio?

Dizendo isso, Maria ficou sem palavras, e sua expressĂŁo atĂŽnita foi algo que eu nunca esqueceria.

Fragmento 2

Acho que eu tinha cerca de trĂȘs anos quando minha mĂŁe me levou Ă  igreja e perguntei a ela: — MĂŁe, por que todo mundo estĂĄ rezando?

— Para fazer pedidos a Deus — ela disse. — Para que todos possam ser felizes.

Mas Deus não estava olhando para cá


Desde que me tornei consciente de mim mesma, pude sentir a existĂȘncia de Deus.

Sim, apenas sua existĂȘncia.

Meus pais devotos e as pessoas ao redor chamavam isso de milagre e diziam que eu devia ser uma santa.

Mas, para mim, nĂŁo parecia um milagre de jeito nenhum.

Porque Deus nĂŁo tinha absolutamente nenhum interesse em nĂłs, humanos.

Mesmo que meu pai, minha mãe e todos os fiéis estivessem oferecendo suas oraçÔes de forma sincera, Deus estava de costas para eles. Era uma cena tão cruel e, ao mesmo tempo, cÎmica.

Era como se os humanos estivessem nutrindo um amor nĂŁo correspondido por Deus.

Eu nĂŁo queria me tornar assim. EntĂŁo, apenas pensei em como fazer bom uso do poder de Deus, e usei os milagres de Deus—a magia de cura—sem nenhuma fĂ© real.

NĂŁo havia sinceridade nisso. Porque seria inĂștil.

Inicialmente, pensei que todos os sacerdotes deviam sentir o mesmo.

OraçÔes sem sentido nĂŁo tĂȘm muito valor, entĂŁo presumi que todos entendiam isso e estavam apenas seguindo o protocolo.

Mas eu estava errada. Os sacerdotes também, de alguma forma, se apegavam ao poder de Deus por meio de suas oraçÔes e realizavam milagres. Isso não é muito diferente de lançar feitiços.

Eles parecem vagamente sentir a presença de Deus, como uma névoa distante, mas não conseguem captå-la claramente. E essa própria imprecisão faz com que eles vejam Deus como algo grandioso.

Eu era uma criança esperta, entĂŁo nĂŁo neguei a fĂ© deles. Pelo contrĂĄrio, apenas mantive as aparĂȘncias, de modo que me louvassem como uma “santa” e “filha de Deus” por ser capaz de usar o poder divino e realizar milagres, mesmo sem ter muita fĂ©. Isso tambĂ©m agradava aos meus pais.

Assim, tornou-se um hĂĄbito para mim agir dessa maneira desde pequena.

Eu nĂŁo achava isso doloroso. Mas, quanto mais eu agia assim, mais sentia uma distĂąncia entre mim e as pessoas ao meu redor.

A Ășnica exceção era um garoto da minha idade chamado Solon.

Mesmo criança, ele jĂĄ era chamado de prodĂ­gio por sua inteligĂȘncia, mas, por essa mesma razĂŁo, parecia duvidar de Deus.

— Se Deus estivesse do lado dos homens, criaturas malignas como demînios não existiriam. O fato de que os demînios existem prova que Deus não está ao lado dos homens. Ou talvez este mundo não tenha sido criado por Deus — ele dizia, despreocupadamente.

Então, mesmo sendo considerado um prodígio, as pessoas mantinham distùncia por causa de declaraçÔes como essa.

Eu sabia que ele era o Ășnico dizendo a verdade, entĂŁo senti uma afinidade e comecei a conversar um pouco com ele. Mas mantive uma certa distĂąncia para evitar ser vista como estranha tambĂ©m.

Mesmo sendo uma criança pequena, eu jĂĄ era frequentemente elogiada pela minha aparĂȘncia, e, combinando com meus supostos milagres, passei a ser chamada de santa. Mas isso era simplesmente porque meus pais eram pessoas atraentes—Deus nĂŁo tinha nada a ver com isso.

Ainda assim, à medida que eu crescia, era evidente pelas reaçÔes das pessoas que eu estava me tornando cada vez mais bonita. Recebi muitas propostas de casamento, mas esses homens só me viam como a santa, e não como a verdadeira eu, então não tinha vontade de me relacionar com eles.

Às vezes, aristocratas atĂ© exigiam arrogantemente minha mĂŁo em casamento. Minha famĂ­lia era de nobres de baixo escalĂŁo, entĂŁo recusar normalmente seria difĂ­cil, mas, como eu tinha sido publicamente anunciada como uma santa que entraria para a igreja no futuro, consegui escapar habilmente dessas situaçÔes, usando a autoridade da igreja como escudo. Meus pais tambĂ©m desejavam isso.

E assim, aos quinze anos, entrei na Academia Pharme.

NinguĂ©m no paĂ­s, nem aluno nem professor, podia usar a magia de cura melhor do que eu, entĂŁo nĂŁo havia muito sentido em frequentar. Mas hĂĄ uma ordem e decoro a serem seguidos, entĂŁo nĂŁo tive escolha a nĂŁo ser me matricular. Para manter as aparĂȘncias, agi de maneira respeitosa com os professores e passei meus dias escolares como uma aluna exemplar.

Enquanto isso, Solon, que estava na classe dos magos, expressava abertamente seu descontentamento e parecia nĂŁo se dar bem com os outros. Ele era ruim em relacionamentos pessoais… NĂŁo, ele tinha um coração verdadeiramente puro.

Minha vida na academia era tranquila. Os professores me respeitavam, e meus colegas me reverenciavam ainda mais do que os professores.

As aulas eram entediantes, mas minha vida sempre foi assim, entĂŁo eu nĂŁo pensava muito nisso.

EntĂŁo Ares apareceu.

Ele de repente entrou na classe dos sacerdotes e me perguntou, abruptamente: — VocĂȘ pode me ensinar magia de cura?

Até eu fiquei chocada. Primeiro, ele era de nascimento comum. Eu sou uma nobre, mesmo que de um escalão inferior. Ele não tinha o direito de falar comigo de forma tão familiar. E eu nunca tinha ouvido falar de um guerreiro aprendendo magia de recuperação.

SerĂĄ que ele estava tentando me cortejar com um pedido tĂŁo absurdo?

Conversei com ele um pouco para tentar descobrir suas intençÔes, e parece que ele estava realmente determinado a se tornar um herói. Além disso, sua imagem ideal de herói era um guerreiro que pudesse usar tanto magia de ataque quanto de cura.

O que ele estĂĄ pensando? SerĂĄ que ele ainda acredita em personagens lendĂĄrios e fictĂ­cios como esse?

Pelo que pude ver, ele nĂŁo tem absolutamente nenhuma afinidade com Deus. NĂŁo hĂĄ chance de sucesso. NĂŁo seria exagero chamar isso de impossĂ­vel.

…No entanto, seus olhos estavam sĂ©rios. Ao contrĂĄrio dos outros que seguiam cegamente o senso comum e viviam seus dias movidos pelos que os cercavam, ele era diferente.

Isso pode ser interessante!

Pela primeira vez, senti uma emoção brotando dentro de mim.

NĂŁo tinha certeza do que era, mas decidi escutĂĄ-lo.

A partir daquele dia, minha vida na academia começou a ganhar cor.

Como posso fazer alguém sem talento aprender magia de cura?

Eu pensei seriamente sobre essa questão. Segundo Ares, ele havia recebido alguma orientação sobre magia de cura do sacerdote de sua vila natal, mas não havia sentido absolutamente nada.

Era desesperador. Pelos meios normais, nĂŁo havia absolutamente nenhuma chance de ele ter sucesso com a magia de cura.

NĂŁo pelos meios normais.

Deus jĂĄ nĂŁo tem interesse nas pessoas para começar, entĂŁo dizer algumas oraçÔes de forma leviana certamente nĂŁo faria com que Ele olhasse para vocĂȘ. Ares precisaria tomar alguma ação muito divertida—nĂŁo, algo que chamasse a atenção de Deus.

Enquanto pensava nisso, comecei a sentir fome. Pão—sim, fazer com que Ares comprasse e trouxesse pão seria uma boa ideia. Procurar por pão enquanto busca pela presença de Deus seria uma grande provação. Com certeza ele encontraria pães deliciosos. Imediatamente fui atrás de Ares e disse a ele para comprar pão e trazer de volta.

…O resultado da primeira provação: Ares comprou pĂŁo comum na loja da academia e trouxe de volta. Que decepção. Ele nĂŁo tem a determinação para sentir verdadeiramente a presença de Deus?

Tentei comer o pĂŁo, por via das dĂșvidas, mas era comum.

Isso não vai funcionar. Preciso impor provaçÔes mais rigorosas. Sim, essas provaçÔes são todas para o bem de Ares.

Mas o que Ă© esse sentimento crescendo tĂŁo intensamente dentro de mim?

SerĂĄ que isso Ă© amor? Meu coração nĂŁo para de bater forte. A prĂłxima provação serĂĄ fazĂȘ-lo procurar uma pedra no fundo do rio.

Depois de impor muitas provaçÔes a Ares, os pães e doces que ele trouxe começaram a se tornar gradualmente mais deliciosos.

Criar provaçÔes para o bem de Ares todos os dias, fazendo-o superar as provaçÔes irracionais com imprudĂȘncia uma vez por semana—minha vida se encheu de alegria.

Pela primeira vez, agradeci a Deus.

Obrigada, Deus. Por me dar uma pessoa tĂŁo maravilhosa.

Quanto a se Ares estava realmente sentindo a presença de Deus, para ser franca, eu não fazia ideia. Afinal, eu não conheço nenhum precedente em que Deus tenha concedido repentinamente seu favor a alguém.

Eu expliquei a Ares que, desde o início, era um pedido irracional. A capacidade de alguém sentir ou não a presença de Deus é algo determinado no momento do nascimento.

Se vocĂȘ tem talento, torna-se fĂĄcil usar. Se hĂĄ ao menos uma pequena promessa, com apenas um pequeno gatilho isso se torna possĂ­vel. Mas Ares nĂŁo tinha nem mesmo essa pequena promessa. Conseguir isso seria nada menos que um milagre.

Mesmo entendendo isso, ele nĂŁo desistiu. NĂŁo sei o que o movia, mas sem nunca se render, ele superava as provaçÔes irracionais… as provaçÔes que eu impunha, exibindo uma vontade indomĂĄvel.

Olhando para trås, desde que comecei essas provaçÔes, tenho mostrado a ele meu verdadeiro eu, sem disfarces. No entanto, ele me aceitou, não como a santa, mas como eu mesma, e continuou enfrentando as provaçÔes.

Me peguei desejando que Ares pudesse sentir a existĂȘncia de Deus. Ao mesmo tempo, tambĂ©m temia que esse tempo doce chegasse ao fim.

Assistir à sua determinação implacåvel ao enfrentar as provaçÔes era ao mesmo tempo cÎmico e me fazia sentir a beleza da humanidade.

E entĂŁo aquele dia chegou de repente.

— Obrigado, Maria! Eu consigo usar magia de cura agora!

Ares estava radiante. Ficou claro que suas palavras nĂŁo continham a menor falsidade.

— VocĂȘ estĂĄ falando sĂ©rio?

Inconscientemente, deixei escapar palavras indelicadas em meu choque.

Pela primeira vez na minha vida, testemunhei um milagre.

E nĂŁo um milagre concedido por Deus, mas um realizado pelas mĂŁos humanas.

Eu nĂŁo acreditava na existĂȘncia dos chamados HerĂłis.

Achava que não passavam de uma invenção fantasiosa.

Mas agora, bem diante dos meus olhos, estava um HerĂłi.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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