Dare ga Yuusha wo Koroshita ka – CapĂ­tulo 1 – Volume 1

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Dare ga Yuusha wo Koroshita ka
Who Killed the Hero?
Quem Matou o HerĂłi?

MangĂĄ Online – CapĂ­tulo 01
[CapĂ­tulo de Leon]


— Ele era meu amigo — foi sua resposta concisa quando perguntado sobre sua relação com o Herói Ares.

Mesmo através das roupas, era possível perceber seu corpo bem treinado e definido. Seus cabelos loiros aparados, a barba bem cuidada e os traços bonitos impressionavam com um olhar poderoso, deixando claro que ele não era um homem comum.

Amigo—a relação deles deveria ter sido mais complexa do que essa simples palavra. Voltando aos tempos de academia, eles eram membros de um grupo que havia enfrentado a morte juntos inĂșmeras vezes.

Leon Mueller. Conhecido como o Santo da Espada Leon, ele jĂĄ foi considerado o principal candidato a se tornar o HerĂłi.

— NĂŁo tem um significado especial. É sĂł que, antes de conhecĂȘ-lo, eu nĂŁo tinha ninguĂ©m que pudesse chamar de amigo. Eu nasci em uma famĂ­lia relativamente bem colocada. Quando vocĂȘ nasce em uma famĂ­lia nobre, os relacionamentos humanos sĂŁo apenas acima ou abaixo. Ou vocĂȘ reverencia ou Ă© reverenciado; Ă© assim que se avaliam as pessoas que vocĂȘ encontra. É bem terrĂ­vel, nĂŁo Ă©? É assim que os nobres sĂŁo.

Enquanto dizia isso, um sorriso travesso cruzou seu rosto.

O Leon atual não tinha mais os ares rígidos de nobre. Pelo contrårio, ele era conhecido como um homem franco e honesto, que não fazia distinção de classe. Mesmo comigo, ele falava de forma descontraída, sem me fazer sentir qualquer diferença de status.

— EntĂŁo, como foi quando vocĂȘ conheceu Ares pela primeira vez?

— Naquela Ă©poca, eu era um nobre. Na verdade, ainda sou, tecnicamente, mas naquela Ă©poca eu era um verdadeiro nobre. E eu era um candidato a HerĂłi. Eu me achava muito bom, acreditando que ninguĂ©m poderia me vencer com a espada e que, com certeza, eu ia me tornar o HerĂłi. As pessoas ao meu redor tambĂ©m pensavam assim.

Os olhos de Leon escureceram.

— Eu odiava aquele cara. Um plebeu que entrou na Academia Pharme, onde apenas nobres podiam estudar, com sapatos sujos de lama. E ele era um homem sem caracterĂ­sticas excepcionais. Eu nem queria tĂȘ-lo no meu campo de visĂŁo.

— A Academia Pharme, que ainda existe hoje, Ă© famosa como uma instituição de formação de HerĂłis, mas dizem que nĂŁo Ă© apenas para nobres. Na verdade, ela abre suas portas para qualquer um com habilidade suficiente.

— Era diferente naquela Ă©poca. Os princĂ­pios de fundação haviam se perdido, e ela havia degenerado em uma instituição para nobres darem refinamento aos seus filhos. Claro, vocĂȘ poderia entrar se tivesse dinheiro, entĂŁo, tecnicamente, o status social nĂŁo era necessĂĄrio para a admissĂŁo, mas dificilmente alguĂ©m louco o suficiente para tentar entrar em um lugar como aquele o fazia. Se vocĂȘ quisesse ficar mais forte, havia inĂșmeras outras opçÔes; entrar em uma escola particular, tornar-se discĂ­pulo de um espadachim famoso, ganhar experiĂȘncia como aventureiro e assim por diante.

— Então por que Ares entrou na Academia Pharme?

— É simples. Porque ele queria se tornar o HerĂłi. Havia inĂșmeras maneiras de se tornar um guerreiro forte, mas para ser reconhecido como o HerĂłi, essa era a Ășnica maneira. Bem, pensando agora, nĂŁo era como se ele precisasse entrar na academia para se tornar o HerĂłi, mas era isso que se acreditava na Ă©poca, e era o que ele tambĂ©m pensava.

— O que aconteceu quando vocĂȘ o conheceu pela primeira vez?

— Eu gostaria de dizer que nĂŁo me lembro, mas ainda vejo isso em meus sonhos. Com um olhar, eu o menosprezei e disse: “VocĂȘ nĂŁo tem o direito de se tornar um HerĂłi.”

— Como Ares reagiu?

— “Mesmo assim, eu preciso me tornar o HerĂłi”, ele disse. Fiquei furioso por ter sido respondido por um plebeu daquele jeito. Eu queria cortĂĄ-lo ali mesmo, mas um professor me impediu. Causar derramamento de sangue nas dependĂȘncias da academia seria problemĂĄtico. Embora os professores o vissem como uma pessoa rude que nĂŁo pertencia ali, eles provavelmente acharam que seria ruim matĂĄ-lo.

— Que tipo de aluno Ares era?

— Ele era mediano. Pelo que ouvi, ele jĂĄ havia feito algumas aventuras antes de entrar na academia, entĂŁo ele tinha habilidades de combate decentes. Mas suas tĂ©cnicas de esgrima eram autodidatas, o que o levou a recomeçar do princĂ­pio. Duelamos inĂșmeras vezes antes de nos graduarmos, mas nunca fui derrotado por ele.

— Acredita-se que, mesmo como estudante, o HerĂłi Ares tinha notas excepcionais, mas…?

— Isso foi embelezado mais tarde. Depois que ele derrotou o Rei DemĂŽnio, conhecidos de seus tempos de academia o encheram de elogios, dizendo: “Mesmo como estudante, ele jĂĄ mostrava o brilho de um HerĂłi”. Ele nĂŁo brilhava nada naquela Ă©poca. Mas ele era anormal.

— Anormal?

— Em batalhas simuladas durante as aulas, ou ele vencia ou continuava lutando atĂ© ser realmente derrubado. Ele nĂŁo desistia com apenas um pouco de dano. Ele enfrentava seriamente atĂ© os professores. Se havia algo que ele nĂŁo entendia nas matĂ©rias ensinadas, ele incomodava os professores ou colegas atĂ© compreender. Ele praticava as tĂ©cnicas repetidamente atĂ© tarde da noite.

— Ele não era apenas um estudante dedicado?

— NĂŁo Ă© sĂł dedicação. Ele nĂŁo tinha conceito de descanso. Ele nĂŁo tinha tempo livre. Todo o seu tempo era dedicado a “se tornar um HerĂłi”. Ele nĂŁo dormia; apenas se esforçava atĂ© seu limite e desmaiava. Algumas pessoas o incomodavam por ele ser plebeu, mas logo pararam de se envolver com ele. Qualquer um podia ver que era um nĂ­vel extraordinĂĄrio de determinação.

— Com tanto esforço assim, ele realmente poderia ser considerado mediano?

— Bom, ele cresceu atĂ© certo ponto. Ou melhor, era natural que ele alcançasse alguns resultados com tanto esforço. Entretanto as diferenças de talento nĂŁo podem ser superadas, nĂŁo importa o quanto vocĂȘ se esforce—isso Ă© uma verdade imutĂĄvel. No fim, assim como ele nunca conseguiu me superar com a espada, ele tambĂ©m nunca foi o melhor em nenhum outro campo. Claro, suas notas nĂŁo eram ruins. Mas qualquer um poderia obter notas nesse nĂ­vel com a quantidade de esforço que ele dedicava. Embora, eu acho que nĂŁo hĂĄ muitos que conseguiriam se esforçar tanto assim.

— Certamente, na formatura, Ares nĂŁo foi o orador da turma. O orador foi vocĂȘ, certo, Leon?

— Eu consegui ser o orador porque tinha o respaldo de ser filho de um conde. Se houvesse um membro da família real no meu ano, provavelmente ele teria tomado esse posto. Mas minhas notas eram adequadamente excelentes.

Leon sorriu maliciosamente. Travesso, mas um sorriso que transparecia afeição pelas pessoas.

— A propĂłsito, vocĂȘ chamou Ares de amigo, mas quando exatamente vocĂȘs se tornaram tĂŁo prĂłximos?

— Foi perto do fim do nosso terceiro ano, durante um treinamento prĂĄtico no campo. Como um teste final de tudo o que aprendemos nesses trĂȘs anos, fizemos uma expedição Ă  Grande Floresta de Rozolof para lutar contra monstros.

— AtĂ© hoje, a Grande Floresta de Rozolof Ă© vista como um domĂ­nio demonĂ­aco, onde ainda aparecem monstros. A Academia Pharme ainda mantĂ©m esse tipo de treinamento como uma tradição.

— Mesmo sendo chamada de domĂ­nio demonĂ­aco, a força dos monstros varia muito dependendo da regiĂŁo. A floresta se estende por uma ĂĄrea tĂŁo grande que poderia conter vĂĄrios paĂ­ses. A ĂĄrea para onde os estudantes vĂŁo tem monstros relativamente fracos. Professores experientes, que tambĂ©m sĂŁo aventureiros, e cavaleiros vĂŁo junto para atuar como guardas. É praticamente isento de riscos… ou pelo menos deveria ser. Mas um demĂŽnio acabou por atacar o treinamento.

— Essa histĂłria Ă© famosa. Tornou-se um dos contos heroicos do HerĂłi, que os membros que mais tarde formariam o grupo do HerĂłi derrotaram o demĂŽnio atacante, mesmo sendo ainda estudantes.

— NĂŁo foi uma histĂłria herĂłica e bela como essa. Quase todos os professores e cavaleiros escoltas foram mortos. Claro, tambĂ©m houve baixas entre os estudantes. Falando francamente, foi um erro do reino. Para encobrir isso, os estudantes que sobreviveram foram glorificados.

— Certamente, ao enfatizar a força do demînio e pelo fato de estudantes terem conseguido enfrentá-lo, isso destacou a coragem do Herói, apesar de sua juventude.

— Simplificando, aquele demĂŽnio nĂŁo era tĂŁo forte entre os demĂŽnios. Ele era apenas astuto. Provavelmente queria acumular feitos com o menor risco possĂ­vel, matando estudantes que poderiam se tornar o HerĂłi. Se os professores e cavaleiros nĂŁo tivessem sido forçados a nos proteger, provavelmente teriam lutado muito melhor tambĂ©m.

— Mesmo que fosse fraco, demînios ainda são considerados a raça mais forte entre os monstros. Como estudantes conseguiram derrotá-lo?

— É simples. Nossas habilidades jĂĄ eram suficientes para vencer desde o começo. As habilidades minhas, de Maria e de Solon jĂĄ se destacavam, mesmo sendo ainda estudantes. Mas nĂłs nĂŁo tĂ­nhamos experiĂȘncia real de combate. PodĂ­amos derrotar monstros fracos, mas nĂŁo sabĂ­amos como trabalhar em conjunto para derrotar monstros mais fortes. Eu avancei sozinho e fui facilmente derrotado. Solon ficou desorientado porque sua magia, da qual se orgulhava, nĂŁo funcionou. Maria ficou paralisada diante dos corpos que ela nĂŁo podia curar.

— A Santa Maria e o Grande SĂĄbio Solon, certamente membros famosos do grupo do HerĂłi. Mas, naquela Ă©poca, eles ainda nĂŁo haviam demonstrado suas habilidades. E quanto a Ares?

— Ele imediatamente instruiu todos a fugirem ao ver o demĂŽnio. Disse para se dispersarem e correrem, sem ficarem juntos. Achei que era comportamento de covarde nĂŁo lutar e apenas fugir. Mas os estudantes que seguiram suas instruçÔes sobreviveram, enquanto os que tentaram resistir morreram.

— E quanto ao próprio Ares?

— Ele estava bloqueando o demĂŽnio que tentou perseguir os estudantes que escaparam. Ele nĂŁo o confrontou diretamente, mas manteve distĂąncia para dificultar sua perseguição. Ele provavelmente queria salvar o maior nĂșmero de vidas possĂ­vel. EntĂŁo, quando fui derrotado pelo demĂŽnio, ele aproveitou a oportunidade e pulou na frente. Eu teria morrido se ele nĂŁo tivesse vindo.

— Ares tambĂ©m tentou te fazer fugir?

— NĂŁo, para mim ele disse: “Levanta!E lute!” Que terrĂ­vel, nĂŁo Ă©? Dizer para eu lutar depois de ter perdido para o demĂŽnio? Achei que nĂŁo havia a menor chance de vencer se lutasse.

— Mas vocĂȘ lutou.

— Foi a primeira vez na minha vida que fui tĂŁo completamente derrotado, e meu orgulho estava em frangalhos, mas, ainda assim, um plebeu estava lutando sozinho. Como nobre, filho de um conde, eu nĂŁo poderia fugir. E tambĂ©m, ele me disse isso: “VocĂȘ nĂŁo queria se tornar o HerĂłi?” Com a pouca coragem que pude reunir, me levantei. Pensando agora, foi a primeira vez na minha vida que mostrei coragem. AtĂ© aquele treinamento, eu nunca tinha enfrentado e superado dificuldades na vida. EntĂŁo, quando fui confrontado pela ameaça do demĂŽnio, meu espĂ­rito foi facilmente quebrado, e eu me resignei Ă  morte.

— Como vocĂȘ lutou contra um oponente que sabia que nĂŁo podia vencer?

— Lutei da mesma forma que ele. Sem atacar diretamente, mas mantendo a distĂąncia e observando as oportunidades para atacar. Era um estilo de luta que eu desprezava, achando que era coisa de fracos, algo indigno de um cavaleiro. No entanto, ao tentar, percebi que era uma maneira eficaz de lutar contra um oponente mais forte. Para monstros individualmente mais fortes que humanos, como demĂŽnios, deverĂ­amos ter lutado assim desde o começo. Com nĂłs dois atentos Ă s brechas do demĂŽnio, sob a direção do Ares, Solon começou a usar magia para atacĂĄ-lo. Maria tambĂ©m se concentrou em nos curar enquanto lutĂĄvamos. E foi assim que vencemos.

— Então, essa foi a primeira vez que o grupo do Herói funcionou em batalha?

— É simples quando vocĂȘ coloca assim, mas na Ă©poca eu nĂŁo achava que pudĂ©ssemos vencer de jeito nenhum. Eu nem conseguia saber se nossos ataques estavam causando algum efeito. Mas como ele lutava sem hesitar, nĂłs tambĂ©m pudemos lutar. Ele foi derrubado vĂĄrias vezes. Mas nĂŁo importa quantas vezes caĂ­sse, ele imediatamente se levantava para continuar lutando. Depois, percebi que ele provavelmente havia imaginado esse tipo de combate durante as batalhas simuladas em aula. Por isso, mesmo quando perdia inĂșmeras vezes nessas lutas, ele nĂŁo admitia a derrota facilmente e continuava lutando atĂ© vencer. Enquanto nĂłs apenas seguĂ­amos vagamente as liçÔes ensinadas, ele aprendeu muitas coisas. Essa diferença se mostrou naquele treinamento de campo.

— VocĂȘ o considerou um amigo porque ele salvou sua vida?

— Talvez sim, talvez não.

Leon olhou vagamente para o horizonte.

— Naquele momento, pensei: Ah, entĂŁo ele Ă© o HerĂłi. NĂŁo veja isso como ressentimento, mas, depois de nos reagrupamos, fui eu quem causou mais dano ao demĂŽnio. Em termos de habilidade pura, eu ainda era mais forte que ele. Mas nĂŁo se trata disso. O HerĂłi precisa de força, mas isso sozinho nĂŁo Ă© suficiente. Claro, o status social era completamente irrelevante. O que importa Ă© o modo de ser do HerĂłi.

Eu nĂŁo era o HerĂłi. E, pela primeira vez, reconheci outra pessoa; nĂŁo como superior ou inferior a mim, mas como um ser humano igual.

— Por que o Herói morreu?

— Provavelmente esse era o destino dele, como o homem chamado Ares. Nada alĂ©m disso.

Fragmento 1

Logo apĂłs entrar na academia, fui abordado na sala de aula.

— VocĂȘ nĂŁo tem o direito de se tornar um HerĂłi.

Ele era um jovem loiro com traços e físico excelentes. Seus olhos azuis deixavam uma impressão marcante, e seu rosto era bem definido.

— Mesmo assim, eu preciso me tornar o Herói.

Quando respondi dessa forma, o jovem ficou furioso e agarrou a espada em sua cintura.

Um professor rapidamente interveio, e a situação se acalmou, mas, depois disso, eu me tornei uma pedra no sapato dele.

Logo ficou claro que o nome do jovem loiro era Leon Mueller. Ele se destacava entre todos na classe e, sendo filho de um conde, havia professores que também bajulavam ele. E sua habilidade com a espada era realmente excelente.

Abençoado com linhagem, físico e talento, ele não deixava de se esforçar. Não demonstrava arrogùncia com relação a seus próprios dons, treinando adequadamente até mesmo fora das aulas. Não é preciso dizer que ele estava no topo dos candidatos a se tornar o Herói.

Achei que ele poderia se tornar o HerĂłi. Ou melhor, esperava por isso.

Se Leon se tornar o HerĂłi, entĂŁo eu nĂŁo precisarei ser, certo?

Pensei, de maneira despreocupada. Mas, até que ele realmente se tornasse o Herói, eu não poderia desistir. Eu não podia empurrar o fardo de ser o Herói para Leon.

EntĂŁo decidi treinar ainda mais do que Leon. Impus a mim mesmo o dobro do treinamento que ele fazia fora das aulas.

Por sorte, eu tinha bastante tempo. Enquanto as pessoas se reuniam ao redor de Leon, forçando-o a se associar com elas de alguma forma, não havia ninguém ao meu redor, o que me permitia dedicar todo o meu tempo fora das aulas ao treinamento.

Os professores das aulas de combate eram, em sua maioria, ex-cavaleiros que haviam se aposentado devido à idade ou a lesÔes, mas suas habilidades eram inegåveis.

Eles favoreciam meus colegas nobres, entĂŁo nĂŁo me instruĂ­am diretamente com muita frequĂȘncia, mas o conteĂșdo que ensinavam nas aulas era muito informativo. Embora houvesse poucos professores particularmente simpĂĄticos comigo, se eu fazia perguntas quando nĂŁo entendia algo, eles respondiam adequadamente.

Com a mentalidade de aplicar o que me era ensinado, pratiquei com minha espada repetidamente em locais ao redor dos prédios da academia, onde não havia olhares curiosos.

Além disso, sempre que possível, praticava minhas posturas diante de espelhos ou vidros para verificå-las.

Durante as aulas, percebi que minha forma de usar a espada tinha muitos movimentos desnecessårios. Eu havia chegado à academia sem ter aprendido formalmente a arte da espada, e havia muitos gestos supérfluos.

Em comparação, o manejo de espada de Leon era ideal. Seus golpes fluíam lindamente, sem desperdício de movimento, como se ele puxasse um fio invisível. Usando suas posturas como modelo, eu me esforcei ao måximo no treinamento. Nas batalhas simuladas durante as aulas, eu o desafiava sempre que podia.

A cada vez, era derrotado por Leon e ridicularizado.

— VocĂȘ deveria sair logo da academia.

Curiosamente, Leon parecia nĂŁo gostar quando outros alunos zombavam de mim.

Certa vez, quando descuidadamente deixei minha espada na sala de aula, um colega a pegou e tentou se apropriar dela.

— Uma espada como essa combina com sua disposição de plebeu desprezível. Eu vou usá-la.

Ele disse, e os outros colegas ao redor riram em concordĂąncia.

— Essa espada Ă© importante. Me dĂĄ ela de volta.

Eu poderia lhe dar qualquer outra coisa, mas nĂŁo poderia dar aquela espada.

Enfrentei aquele colega. De qualquer jeito, eu estava determinado a recuperå-la, mesmo que fosse à força.

— Ei! Como ousa um plebeu como vocĂȘ ser tĂŁo arrogante?

Eles ficaram um pouco intimidados com a minha atitude, mas, confiando em sua superioridade numérica, me cercaram.

— Ei.

Leon chamou a atenção deles.

— VocĂȘ aĂ­, o que aprendeu sobre o que uma espada significa para um guerreiro?

Leon questionou o colega que havia roubado minha espada.

— E-erm… uma espada Ă© a vida de um guerreiro…

O garoto questionado gaguejou ao responder.

— Oh? Então sua vida agora são bens roubados?

O garoto tremeu e disse: — NĂŁo, isso foi sĂł uma brincadeira…

— VocĂȘ pretende se tornar um guerreiro que brinca com vidas?

Pressionado pela pergunta, o garoto silenciosamente devolveu minha espada.

ApĂłs confirmar isso, Leon foi embora, mas eu corri atrĂĄs dele para expressar minha gratidĂŁo.

— Obrigado, vocĂȘ me ajudou.

— VocĂȘ estava ouvindo o que eu disse?

Leon respondeu duramente.

— Eu disse que a espada Ă© a vida de um guerreiro! Ter a sua espada tomada por outro Ă© uma desonra para um guerreiro! É tolice roubar a espada de alguĂ©m, mas aquele que a perde por descuido Ă© ainda mais tolo!

Ele estava completamente certo. Desde entĂŁo, nunca mais deixei minha espada longe de mim.

No final do verão do terceiro ano, enquanto eu praticava esgrima atrås do prédio da academia, Leon se aproximou de mim.

Era raro ele iniciar uma conversa. Ele nĂŁo estava com sua comitiva usual.

— Seu manejo de espada melhorou bastante — ele disse.

Ele não usava lisonjas ou sarcasmo, então devia ser um elogio genuíno. Parei de balançar minha espada e me virei para encarar Leon.

— Tenho usado sua esgrima como modelo.

— Entendo. Eu nĂŁo sou tĂŁo ruim, mas, tirando eu, sua forma Ă© a melhor. Bem, em parte, Ă© porque os outros nĂŁo tĂȘm treinado direito.

Foi um comentårio gratificante. Quando me matriculei, eu era o pior da classe dos guerreiros, pois não tinha as noçÔes båsicas. Agora, Leon disse que eu era o segundo melhor, logo atrås dele.

No entanto, o fato é que meus colegas, com exceção de Leon e eu, não estavam levando as aulas a sério. Eles pareciam ter medo de ir para o território do Rei DemÎnio, mesmo que tivessem aprimorado um pouco suas habilidades. Leon provavelmente estava irritado com isso.

— Obrigado. Valeu a pena o esforço.

— É mesmo? NĂŁo acho que seus resultados correspondam ao seu esforço. Se tudo o que vocĂȘ conseguiu depois de balançar a espada milhares de vezes todos os dias Ă© esse nĂ­vel, talvez vocĂȘ nĂŁo tenha talento para isso.

A observação de Leon era precisa. Depois de praticar dia e noite por mais de dois anos e chegar ao meu nível atual, meu talento era realmente questionåvel.

— Mesmo assim, está tudo bem. Eu tenho que me tornar o Herói, então preciso melhorar minha esgrima, mesmo que seja só um pouco.

— Por que vocĂȘ estĂĄ tĂŁo determinado a se tornar o HerĂłi?

Leon perguntou com uma expressão séria.

— É porque um profeta apareceu na minha vila e profetizou o surgimento de um HerĂłi. Se eu nĂŁo fizer isso, nĂŁo haverĂĄ mais ninguĂ©m.

— VocĂȘ realmente acha que Ă© o HerĂłi?

— Eu fico pensando. NĂŁo acho que eu seja o mais indicado para isso. Para ser sincero, acho que vocĂȘ seria um HerĂłi melhor.

— O quĂȘ?!

Ele parecia genuinamente surpreso.

— EntĂŁo, por que vocĂȘ insistiu em se tornar o HerĂłi? Poderia ter deixado isso comigo. Assim, vocĂȘ nĂŁo precisaria passar por esse treinamento exaustivo todos os dias.

— Bem, isso não seria certo.

— NĂŁo seria certo? VocĂȘ nĂŁo deveria ser o HerĂłi.

— Todos esperam que eu seja, e unilateralmente empurram para mim a grande tarefa de derrotar o Rei Demînio. Eu tenho que arriscar a minha vida para lutar contra ele. E se eu falhar, o mundo estará perdido. Não há nada mais problemático do que isso.

— …

Leon hesitou por um momento antes de falar.

— Ontem, meu pai me disse para me retirar da seleção de candidatos a Herói.

— Por quĂȘ?

Seu pai deveria esperar que ele se tornasse o HerĂłi.

— A situação estĂĄ bem ruim. NĂŁo parece que estamos em condiçÔes de invadir o territĂłrio do Rei DemĂŽnio. Foi julgado que Ă© impossĂ­vel derrotar o Rei DemĂŽnio, mesmo com um HerĂłi.

Entendo, se a situação for crítica, eles não poderão oferecer suporte para o Herói que entrar no território do Rei DemÎnio. Sem apoio, seria como pular direto em uma armadilha mortal.

— Ele estĂĄ preocupado com vocĂȘ.

— Eu sei disso. — Leon gritou. — Mas, eu tenho me esforçado para me tornar o HerĂłi desde criança! Tornar-me o HerĂłi e salvar o mundo sempre foi meu sonho! Eu nĂŁo me importo com a minha vida neste ponto! Mas…

Seu pai, que era um conde, sem dĂșvida lhe daria ordens absolutas. Provavelmente, era por preocupação com sua segurança. Leon nĂŁo poderia desafiar essas ordens.

— Eu me tornarei o Herói, então está tudo bem.

Comecei a balançar minha espada novamente.

— Eu definitivamente vou derrotar o Rei Demînio. Então, está tudo certo.

— EstĂĄ dizendo que vocĂȘ, que Ă© mais fraco do que eu, pode fazer isso?

O rosto de Leon se contorceu de desdém.

— Como pode dizer isso com tanta confiança? VocĂȘ Ă© apenas uma pessoa comum! NĂŁo tem poder! NĂŁo pode derrotar o Rei DemĂŽnio!

Ele me repreendia como se despejasse seu Ăłdio sobre mim.

— Eu vou fazer isso atĂ© conseguir. Se falhar uma vez, tentarei de novo. Se falhar uma segunda vez, visarei uma terceira. É sĂł isso.

Eu nĂŁo era tĂŁo otimista. NĂŁo achava que seria fĂĄcil ter sucesso na primeira tentativa.

— Do que vocĂȘ estĂĄ falando? Se falhar uma vez, tudo estarĂĄ acabado. NĂŁo haverĂĄ uma segunda chance.

— Mesmo assim, eu nĂŁo tenho outra escolha senĂŁo fazer isso. O mais importante Ă© nĂŁo desistir e manter a calma. Se vocĂȘ se tornar imprudente e desperdiçar sua vida, tudo estarĂĄ acabado. NĂŁo importa o que aconteça, eu vou atĂ© o fim. É por isso que aprendi tanto magia ofensiva quanto de cura.

— 





Depois de me encarar por um tempo, Leon disse: — Hmph, fala muito. O que um plebeu pode fazer? Sou eu quem vai derrotar o Rei DemĂŽnio. NĂŁo posso simplesmente deixar tudo com vocĂȘ e esperar pacificamente no paĂ­s. Confiar o destino do mundo a um plebeu fere meu orgulho. NĂŁo importa o que digam, eu irei para o territĂłrio do Rei DemĂŽnio. Com certeza.

Quando Leon estava prestes a sair, ele se virou como se tivesse uma segunda ideia.

— Faça uma promessa. Se eu me tornar o HerĂłi, vocĂȘ entrarĂĄ no meu grupo.

Foi uma declaração inesperada.

— Se eu me tornar o Herói?

— É um cenĂĄrio improvĂĄvel. Mas… — Leon mostrou um sorriso confiante. — Se isso acontecer, entrarei no seu grupo

Fragmento 2

Fui criado com grandes expectativas desde pequeno. Isso Ă© natural sendo o filho mais velho de uma famĂ­lia nobre.

A Casa Mueller sempre foi um pilar de sustentação do reino, o símbolo de sua força militar, então era óbvio que eu deveria ser forte.

Antes que me desse conta, jĂĄ estava treinando com uma pequena espada de lĂąmina cega.

NĂŁo Ă© que eu nĂŁo gostasse do treinamento com a espada. Eu gostava, e podia sentir meu progresso a cada treino. Meu tio, que me instruĂ­a, meu pai, minha mĂŁe, todos me elogiavam. Como resultado, a espada se tornou minha razĂŁo de viver.

No entanto, por mais que fĂŽssemos uma famĂ­lia militar, ser bom com a espada nĂŁo era tudo. Na verdade, em nossa famĂ­lia, o mais habilidoso com a espada era meu tio, mas, sendo ele o segundo filho, nĂŁo podia herdar a casa. No final, para os nobres, o que importava era a linhagem. Contudo, os tempos estavam mudando.

O Rei DemĂŽnio havia surgido.

O Rei DemĂŽnio e seus monstros começaram a invadir os paĂ­ses humanos com uma força e nĂșmeros esmagadores.

Eu tinha seis anos na época. Uma grande batalha contra as forças do Rei DemÎnio ocorreu ao sul. Nosso país também enviou um exército, pelo que parece. Entretanto, seguindo as ordens de Sua Majestade, meu pai não foi pessoalmente ao campo de batalha, enviando meu tio para liderar o exército em seu lugar. Como chefe de uma casa nobre, ele não podia se arriscar. Ou ao menos, esse era o raciocínio.

Meu tio foi em auxílio do Reino de Malica, que estava sendo invadido pelas forças do Rei DemÎnio, e exibiu plenamente seu valor militar, repelindo o exército do Rei DemÎnio. No entanto, quando chegaram, o Reino de Malica jå havia sido destruído.

Se meu pai tivesse tomado a decisĂŁo imediatamente e ele mesmo tivesse ido ao campo de batalha, talvez o Reino de Malica pudesse ter sido salvo.

Isso foi lamentĂĄvel.

Por outro lado, ao contrĂĄrio de outros nobres, eu respeitava meu tio, que foi para o front e atuou nas linhas de frente.

Meu tio também não tinha filho homem, então ele me mimava como se eu fosse seu próprio filho. Mas ele tinha uma filha, um ano mais nova que eu.

Minha prima também me adorava como um irmão mais velho, e praticåvamos esgrima juntos. Como esperado da filha do meu tio, ela tinha uma boa constituição física. Se minha prima fosse um menino, ela poderia ter se tornado um espadachim melhor do que eu. Treinar com ela melhorou ainda mais minhas habilidades com a espada.

Com o passar do tempo, uma atmosfera pesada passou a dominar o país. Embora tivéssemos repelido as forças do Rei DemÎnio uma vez, elas continuavam a expandir seu domínio, e acreditava-se que, eventualmente, estenderiam sua mão maligna ao nosso país também.

Mas quando esse momento chegasse, meu poder seria necessĂĄrio.

Com o poder desta espada, salvarei o paĂ­s, pensei, e continuei a aprimorar minhas habilidades. Meu tio disse: “VocĂȘ me supero.” Quando completei dez anos, jĂĄ me chamavam de Santo da Espada. Mas antes que me desse conta, me afastei das pessoas ao meu redor.

NinguĂ©m ao meu redor estava realmente preocupado em salvar o paĂ­s. Todos sĂł pensavam em como evitar a luta. Quanto maior o status, mais forte era essa tendĂȘncia.

Isso Ă© completamente tolo. Justamente por serem nobres, deveriam liderar e lutar pelo seu paĂ­s e seu povo.

Eu pensei que, ao me tornar o HerĂłi e salvar o mundo, me tornaria o rei deste reino e corrigiria a natureza dos nobres. Nunca duvidei que eu era o Ășnico que poderia ser o HerĂłi.

Mas esperava que houvesse alguém mais por aí com as mesmas aspiraçÔes, alguém que se dedicaria e lutaria pelo povo.

Aos quinze anos, entrei na Academia Pharme,

Uma instituição destinada a formar Heróis. Era um lugar onde apenas nobres escolhidos podiam entrar. Eu esperava que ali houvesse nobres com a aspiração de se tornarem Heróis.

Foi quando conheci Ares, um plebeu audacioso que teve a ousadia de entrar na Academia Pharme.

Os plebeus deveriam ser protegidos pelos nobres; sem esse arranjo, a prĂłpria essĂȘncia da nobreza se perderia.

Certamente, um HerĂłi nĂŁo Ă© escolhido com base no status social. Contudo, se os nobres nĂŁo produzirem HerĂłis, nos tornaremos apenas parasitas dentro de nosso prĂłprio paĂ­s.

— VocĂȘ nĂŁo tem o direito de se tornar um HerĂłi.

Eu me peguei dizendo isso.

Direito? Por que deveria haver um direito? Qualquer um deveria poder se tornar um Herói, se tivesse determinação. Mas eu não conseguia aceitar. Era o medo de que nos tornåssemos nobres parasitas e falsos.

— Ainda assim, eu preciso me tornar um Herói.

Ares respondeu, olhando diretamente nos meus olhos. Ele estava determinado. Apesar de estar na academia, ele era diferente dos outros filhos de nobres, que riam e agiam despreocupadamente.

Eu saquei minha espada, e os outros ao nosso redor tentaram me parar.

Por que me impedir? VocĂȘs nĂŁo tĂȘm senso de urgĂȘncia? Se os nobres forem salvos por plebeus, perderemos nosso valor, qual seria o sentido?

Eu podia afirmar isso: ele estava genuinamente almejando se tornar um HerĂłi.

Eu nunca tinha visto alguém como ele, exceto eu mesmo.

Perguntei a alguns que pareciam promissores: — VocĂȘ estĂĄ tentando se tornar um HerĂłi?

A resposta era sempre a mesma: — NĂŁo Ă© Ăłbvio que o Lorde Leon serĂĄ o HerĂłi?

Eles diziam isso com olhos cheios de bajulação.

Por quĂȘ? A identidade do HerĂłi nĂŁo era algo predeterminado. Se alguĂ©m tivesse a determinação de salvar o mundo, qualquer um poderia aspirar a isso.

EntĂŁo, por que os nobres e cavaleiros nĂŁo aspiravam a isso?

Como nobres e cavaleiros, eles nĂŁo deveriam lutar pelo povo?

Claro que eu me tornaria o HerĂłi. Eu salvaria o mundo e me tornaria o rei deste paĂ­s, trazendo felicidade ao povo.

Contudo, eu não acreditava que esse caminho deveria ser trilhado sozinho. Deveria ser uma jornada compartilhada com outros, aprimorando nossas habilidades juntos até alcançarmos o topo.

Eu deveria seguir esse caminho sozinho?

Deveria ir para o deserto sozinho?

Por que vocĂȘs nĂŁo tĂȘm aspiraçÔes?

O que mais me incomodava era o fato de esse plebeu finalmente ter aparecido, justamente naquele deserto.

VocĂȘs estĂŁo zombando dele por dizer que estĂĄ almejando se tornar um HerĂłi.

NĂŁo o ridicularizem.

Que direito tĂȘm aqueles sem determinação de zombar de quem a possui?

A Academia Pharme era uma instituição para cultivar HerĂłis. Se vocĂȘ se matriculou aqui, deveria aspirar a se tornar um HerĂłi.

No entanto, nĂŁo havia nada mais desprezĂ­vel do que zombar de alguĂ©m que estava se esforçando para isso, sem vocĂȘ mesmo ter essa aspiração.

Ares permaneceu impassĂ­vel, mesmo quando saquei minha espada. Ele era genuĂ­no. Mas eu nĂŁo podia reconhecĂȘ-lo.

Eu era um nobre, e ele era um plebeu. Era por isso.

***

As aulas na academia começaram, e as batalhas simuladas com espadas se tornaram uma pråtica comum. Quando chegou a hora, Ares me desafiou para um duelo.

As pessoas ao nosso redor tentaram impedir, dizendo: — Que audácia de um plebeu desafiar o Lorde Leon para um duelo.

No entanto, aceitei o desafio.

Era algo simples. Se Ares não me desafiasse, não haveria mais ninguém para enfrentar. Se ele estava se segurando ou não queria lutar devido à grande diferença de habilidade, eu não sabia, mas ninguém mais me desafiava.

E assim, a batalha simulada começou.

Ares se posicionou de maneira direta. Seus movimentos eram forçados, desajeitados e transmitiam uma sensação de brutalidade. Os colegas de classe riram.

Talvez ele nĂŁo tivesse recebido o treinamento adequado. Seu estilo lembrava o de aventureiros e mercenĂĄrios que tinham experiĂȘncia em combate real.

Neste ponto, estava claro que ele carecia de muita habilidade.

Mantive minha espada abaixada, sem postura, com o corpo leve e flexĂ­vel, pronto para responder instantaneamente a seus movimentos, relaxando o aperto na espada.

— Heeya! — gritou Ares enquanto balançava sua espada, com um grande impulso.

Seus movimentos preparatĂłrios eram exagerados, e a distĂąncia era grande demais. NĂŁo havia necessidade nem de defender com a espada.

Desviei levemente de seu golpe com o mínimo de movimento e ajustei minha espada para tocar levemente o pescoço de Ares.

— Primeiro ponto pra mim. Continuamos? — perguntei.

— Eu quero continuar!

Ares ajustou sua distĂąncia e rapidamente retomou sua postura. Desta vez, ele se aproximou com mais cautela.

Mantendo-se ao meu alcance, ele desferiu um ataque baixo. Era uma finta, mas Ares, enganado, assumiu uma postura defensiva exagerada. Aproveitei a oportunidade, reajustei a empunhadura com ambas as mĂŁos e golpeei seu ombro de cima para baixo.

Uma sensação surda reverberou pelo meu braço, embora fosse apenas uma espada de madeira de treino, que não cortaria. No entanto, deveria ter causado algum dano.

— Ugh!

Ares soltou um gemido e caiu de joelhos.

— Uau!

Ouvi vozes de admiração ao redor. A técnica que usei era relativamente simples, mas executå-la com fluidez exigia uma boa dose de pråtica e habilidade. Ares parecia entender isso.

— Quer continuar? — perguntei.

Ares, segurando o ombro direito com a mĂŁo esquerda, fez uma careta.

— …Eu quero continuar.

Que determinação. Ele seria um excelente parceiro de treino para os alunos da classe dos sacerdotes mais tarde.

Ares, considerando as liçÔes dos dois primeiros rounds, começou a se mover de forma mais cautelosa, com movimentos menores.

Além disso, ele entrou no meu espaço, mas dessa vez deixei que Ares tomasse a iniciativa. Como ele jå estava ferido, seus movimentos estavam lentos, então não precisei fazer muita coisa.

E, quando Ares ergueu sua espada, aproveitei a abertura e desferi um golpe em seu torso.

Com um Gofu, como se todo o ar saĂ­sse de seu estĂŽmago, Ares desabou.

Aquilo foi o fim. Ele provavelmente quebrou uma ou duas costelas, mas hĂĄ muitos que estĂŁo ansiosos para praticar magia de cura, entĂŁo nĂŁo era um grande problema.

— VocĂȘ deveria deixar a academia logo.

Eu disse a ele. Mas nos olhos de Ares, enquanto ele me olhava de volta, nĂŁo havia sinal de desĂąnimo.

Nas batalhas simuladas que se seguiram, Ares continuou me desafiando.

Para ser sincero, Ares era um dos mais fracos da turma.

Seu estilo era autodidata, com muitos movimentos desnecessĂĄrios. No entanto, ele parecia ter experiĂȘncia em combate real, possuindo uma certa intensidade e uma aura de matador que os outros alunos nĂŁo tinham.

Eu nunca sabia o que ele poderia fazer a seguir. Mesmo sendo uma luta com espadas, ele chutava ou soltava a espada para tentar me agarrar. Ele nĂŁo se importava com os mĂ©todos, desde que pudesse vencer, e foi condenado pelos outros alunos como “desprezĂ­vel”. Mas ele nĂŁo ligava. Estava absolutamente determinado a vencer.

No entanto, só isso não era o suficiente para ganhar. Havia uma diferença muito grande em nossas habilidades com a espada.

Toda vez que Ares avançava contra mim, eu o derrotava com facilidade.

— VocĂȘ deveria deixar a academia logo.

Eu repetia isso sempre que o deixava incapacitado de se mover. Ao ouvir isso, os outros ao redor aparentemente pensavam que eu estava realmente tentando expulsar Ares.

Claro que eu estava falando sĂ©rio. Como Ares era um rival que tambĂ©m almejava se tornar o herĂłi, era natural que eu tentasse derrubĂĄ-lo. Mas vocĂȘs nem sequer eram dignos de serem alvos. Eu nĂŁo podia levar a sĂ©rio aqueles que nem estavam no mesmo nĂ­vel que eu. E, por mais vezes que eu o derrotasse, Ares se levantava de novo.

Como se quisesse me mostrar que era assim que aqueles que aspiram a ser herĂłis agem.

Antes que eu percebesse, comecei a observar Ares de perto. No entanto, ele nem sequer olhava na minha direção. Não era que ele estivesse me ignorando; ele estava dedicando todo o seu tempo ao treinamento. Qualquer momento livre que ele tinha, revisava os livros, e sempre que tinha um tempo maior, praticava com a espada. Em outras palavras, ele não tinha tempo para perder com outras pessoas.

Quando todas as aulas da academia terminavam, ele estava no påtio atrås do prédio, praticando com sua espada.

Ele repetia cada movimento meticulosamente, como se quisesse gravar o que havia aprendido em aula.

Eu o observava fazer isso quase todos os dias. Talvez fosse para confirmar que havia pelo menos mais uma pessoa caminhando o mesmo deserto que ele.

— Um plebeu desesperado.

Os nobres ao meu redor diziam.

Claro que ele estava desesperado. Estamos lutando contra o Rei DemĂŽnio. Se vocĂȘ tem essa determinação, naturalmente se torna desesperado.

No entanto, os esforços de Ares eram excepcionalmente obsessivos. Ele nunca tentava descansar. Era como se estivesse sendo perseguido por algo, e continuasse correndo sem parar.

Ele estava, sem dĂșvida, passando por algo para se tornar o herĂłi. Eu nĂŁo sabia o que era. E nĂŁo era algo que eu pudesse simplesmente perguntar.

Talvez fosse algo que me faltava.

***

Depois de um tempo, um boato começou a circular sobre Ares.

Diziam que ele estava apaixonado por Maria Lauren, da classe dos sacerdotes, e que jĂĄ havia se declarado a ela vĂĄrias vezes.

Isso nĂŁo pode ser verdade.

Eu ri disso.

Maria era, de fato, muito bonita. Ela era chamada de santa, e suas habilidades como sacerdotisa eram excepcionais.

Eu jĂĄ havia me interessado por ela antes, como candidata para compor meu futuro grupo, e conversei com ela. Mas ela sĂł falava palavras bonitas, e eu nĂŁo conseguia perceber o que ela realmente pensava.

Suas palavras louvando Deus pareciam insinceras, como se ela não sentisse a presença divina de verdade. Completamente não confiåvel. Eu não conseguia acreditar que uma mulher como ela teria cativado Ares.

EntĂŁo, alguns meses depois, ouvi que Ares estava aprendendo magia com Solon Berkeley.

— Que tolo. Acreditar que um herói pode usar magia

Meus colegas o ridicularizavam.

Provavelmente era verdade. A magia Ă© um tipo de talento. Aqueles que podem usĂĄ-la e aqueles que nĂŁo podem sĂŁo definidos no momento do nascimento.

No entanto, havia, sem dĂșvida, lendas de herĂłis que podiam usar magia. SerĂĄ que Ares estava tentando aprender magia porque levava essas histĂłrias a sĂ©rio?

Se fosse isso, talvez o contato com Maria tivesse sido uma tentativa de aprender magia de cura. Um completo desperdĂ­cio de tempo. Ele continuava fazendo coisas totalmente inĂșteis.

Antes que eu percebesse, eu mesmo jå tinha trazido os livros de magia de casa para o meu quarto e estava os lendo secretamente, para que ninguém notasse. Eu não entendia nada do que estava escrito, pois era tudo em uma escrita antiga. Ainda assim, progredi lentamente, consultando as palavras em um dicionårio.

Estudar nunca foi meu ponto fraco. Era importante ler vĂĄrios livros e adquirir conhecimento para administrar meu territĂłrio no futuro.

Mas os livros de magia eram de outro nĂ­vel. Primeiro, eu nĂŁo conseguia ler as letras. E mesmo quando conseguia, a gramĂĄtica era diferente da linguagem moderna, tornando tudo muito difĂ­cil de entender.

Fiquei aliviado por nĂŁo ter me inscrito na classe dos magos.

E depois de um mĂȘs, parei de ler os livros de magia.

Por qualquer ùngulo que se olhasse, era um desafio muito grande. Decifrar letras incompreensíveis, ler com cuidado e compreender o significado das frases, e, mesmo depois de finalmente entender os encantamentos e tentar executå-los, não havia absolutamente nenhuma reação. Nenhuma mudança ocorria. Eu achei impossível continuar com aquilo.

Ares continua fazendo isso?

Era simplesmente insano. Se uma pessoa sem talento para magia estava fazendo isso, eu só podia pensar que algo estava errado com a cabeça dela.

Nem alguém como ele poderia fazer isso.

Ares era basicamente incompetente. NĂŁo havia como um cara como ele conseguir usar magia, eu dizia para mim mesmo.

Quando avançamos para o terceiro ano, rumores começaram a circular de que Ares havia conseguido usar magia de cura e magia de ataque.

Todos zombavam, dizendo que não teria um efeito significativo, mas suas expressÔes estavam misturadas com admiração.

Parecia que o nível dele não era muito alto. Mas ele havia realizado o que eu não pude. Seus esforços eram inimaginåveis.

Era o mesmo com a espada. Nessa época, Ares jå estava claramente mais forte do que nossos colegas da classe dos guerreiros. Para ser honesto, o progresso dele não era tão grande quanto os esforços justificariam, mas ele certamente havia ganho força.

E assim, mesmo no terceiro ano, Ares continuava me desafiando para batalhas simuladas.

Diante de mim estava Ares, com uma postura reta perfeita, eficiente e com a quantidade certa de força.

A postura reta era uma das mais fundamentais, mas em um combate um contra um, era inerentemente a mais segura.

Em contraste, eu adotei uma postura de meio corpo, segurando a espada com uma mão, apontada em direção ao meu oponente. Agora, não havia mais escolha senão manter minha postura contra Ares.

Continuamos a nos medir mutuamente. A tensĂŁo no ar era palpĂĄvel.

Ares abaixou sutilmente sua postura e lançou uma estocada que fluiu suavemente. Seus movimentos preparatórios eram mínimos, sem deixar brechas. Esse ataque podia tanto ser um blefe quanto um golpe sério.

Eu desviei para o lado e desferi um golpe mirando o flanco dele, mas Ares imediatamente voltou Ă  sua postura original e bloqueou o ataque de forma eficaz. Claro, eu nĂŁo parei naquele Ășnico golpe e segui com uma sĂ©rie de cortes.

Misturando alguns falsos ataques, lancei uma investida incessante, mas Ares defendeu com precisĂŁo e o mĂ­nimo de movimento possĂ­vel.

As pessoas podem mudar drasticamente. Entre os da classe dos guerreiros, Ares provavelmente foi quem mais progrediu. Considerando que ele era o pior no início, era natural. É por isso que vir para esta academia teve significado para ele.

Comparado a isso, o que eu havia ganhado com a minha vida acadĂȘmica?

Treinei diligentemente todos os dias sem relaxar. Mas foi sĂł isso.

Se eu almejasse algo maior, deveria ter procurado um caminho diferente em vez de simplesmente entrar na academia, certo?

Eu poderia ter ido para as linhas de frente com meu tio. Ainda haveria muito a aprender no campo de batalha. Se as linhas de frente fossem impossíveis, havia também a opção de subjugar as bestas mågicas que assolavam o país. Eu poderia ter aprimorado minhas habilidades e contribuído para a nação.

Apesar de ter o título de Santo da Espada, entrei na Academia Pharme como de costume, por pura convenção.

Embora eu pensasse que era o Ășnico a considerar o bem do paĂ­s, talvez eu nĂŁo estivesse realmente pensando em nada.

Observando Ares receber meus ataques desesperadamente, por algum motivo, fui tomado por arrependimento.

Eu conseguia ver a intenção de Ares. Ele planejava suportar meus ataques para, então, contra-atacar com a força que havia acumulado.

Deliberadamente, mostrei uma abertura ao recuar por um momento.

Sem perder a oportunidade, Ares imediatamente fechou a distĂąncia e desferiu um golpe de cima para baixo.

Um golpe honesto, aperfeiçoado após milhares de repetiçÔes todos os dias. Faltava brilho, mas transmitia o peso do esforço acumulado.

Mas era previsĂ­vel. Mudei para o lado para desviar e acertei um golpe no torso de Ares enquanto passava por ele.

Eu senti o impacto. Dois anos atrås, ele teria caído com isso. Mas Ares permaneceu de pé. Sua postura não mudou. Seu rosto estava contorcido de dor, mas ele ainda queria continuar lutando.

Depois disso, eu o derrotei, mas Ares nunca admitiu a derrota, levantando-se de novo, não importando quantas vezes caísse. Ninguém mais achava isso tolice.

HerĂłis sĂŁo aqueles que tornam o impossĂ­vel possĂ­vel. Talvez eu estivesse apenas fazendo o que era possĂ­vel todo esse tempo.

No final do verão, veio a notícia de que meu tio, que estava liderando a defesa da fronteira contra o exército do Rei DemÎnio, havia morrido em combate. Ele enfrentou um general demoníaco e encontrou uma morte heroica.

Ele era um homem forte e gentil. Eu acreditava que nĂŁo havia como ele ser superado por demĂŽnios.

Minha prima manteve uma postura estoica, mesmo diante da morte de seu pai.

— Morrer no campo de batalha Ă© o destino de uma famĂ­lia guerreira. Era o desejo mais profundo do Pai.

EntĂŁo, o que significa para meu pai, o chefe da famĂ­lia, ainda estar vivo sem ter ido ao campo de batalha?

Por que eu, o Santo da Espada, nĂŁo estou no campo de batalha?

Ao olhĂĄ-la, percebi minha prĂłpria impotĂȘncia.

A morte do meu tio como comandante da fronteira indicava o quão grave a situação estava.

— Desista de ser um candidato a herói.

Me disse meu pai. Era perigoso demais, esse era o motivo. Eles nĂŁo podiam permitir que o herdeiro de uma casa nobre morresse lutando contra monstros.

Uma justificativa tĂ­pica de nobres. Mas o que aconteceria com este paĂ­s? Com este mundo? NĂŁo Ă© dever de um nobre protegĂȘ-los? Pelo que meu tio morreu?

Fui ver Ares. Foi a primeira vez que conversamos adequadamente.

— Está tudo bem, porque eu sou quem vai se tornar o herói.

Ele respondeu com clareza apĂłs ouvir minhas dĂșvidas. NĂŁo era diferente do que ele havia dito quando nos matriculamos.

Mas entĂŁo eu percebi.

Eu inconscientemente tentei empurrar o dever de herĂłi para Ares ao vir aqui.

Apenas ser aconselhado a desistir por meu pai foi o suficiente para abalar facilmente minha determinação.

Vergonhoso.

Mesmo tendo sempre pensado que eu era mais adequado para ser o herói, Ares continuou se esforçando para se tornar o herói. Ele havia percorrido esse caminho difícil sozinho o tempo todo.

Ah, entĂŁo Ă© assim que as pessoas deveriam ser.

NĂŁo se trata de poder ou nĂŁo poder, mas de fazer o que vocĂȘ deve fazer.

Adotarei esse exemplo como guia. Mesmo diante da possibilidade de derrota, continuarei a lutar até o final.

Mesmo que não me torne o herói, dedicarei toda a minha força ao mundo.

O herĂłi precisa de companheiros.


Tradução: ParupiroHPara estas e outras obras, visite o Cantinho do ParupiroH – Clicando Aqui


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