Botsuraku Yotei Webnovel 90

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Capítulo 90

— CHEFE!
— NÃO, CHEFE! POR FAVOR, NÃO VÁ!
— O QUE SERÁ DE NÓS SEM VOCÊ, CHEFE?
— DIGA ALGUMA COISA, CHEFE!
Hoje eu estava deixando a cadeia para poder participar do meu julgamento e o resultado disso foi que todos os meus capangas correram até a mim para chorar. Nunca imaginei que a minha popularidade fosse tão grande nesse tipo de lugar...
— Lá fora existe uma batalha que preciso travar não importa o que aconteça... Se eu perder, deverei voltar aqui.
— ENTÃO QUE PERCA!
— VÁ TOMAR UMA SURRA, CHEFE!
— PERCA PELO BEM DE TODOS NÓS!
Mas que bando de traidores! Vocês estão fazendo as coisas ficarem ainda mais difíceis para mim. Porém, preciso admitir que viver aqui não foi tão ruim. Passar o resto da vida na prisão está fora de questão, no entanto não me importaria de vir aqui de vez em quando para dar uma olhada.
— Eu não posso perder. Essa batalha não é só minha, ela também envolve muitas gente importante para mim. Por causa disso, preciso lutar para vencer. Eu tenho um carinho especial por este lugar..., mas realmente tenho que partir.
— Chefe... você está lidando com um monte de coisas fora daqui, hein? Você é um cara incrível. Se é assim, acho que  nós não podemos ficar mais lhe segurando... CHEFE, VÁ E PROTEJA AS PESSOAS QUE LHE SÃO IMPORTANTES!
— Sinto muito, mas preciso ir pessoal. Por favor, ponham os planos que fiz em prática e vivam de forma digna nesse buraco. Agora eu irei partir!
Assim, sob o olhar afetuoso dos prisioneiros — para ser um pouco mais dramático — eu embarquei no elevador, retornando à superfície. A atmosfera estava muito diferente de quando cheguei aqui. A sombria e mórbida Prisão de Kudan já não existia mais, tornando-se um lugar iluminado e vívido. Isso ficava evidente olhando daqui de cima.
— Chefe, o senhor pode ficar tranquilo. Nós iremos fazer uma limpeza completa em todo quadro de funcionários da prisão para nos livrarmos dos corruptos. Quando tivermos uma noção mais detalhada, teremos certeza de lhe enviar um relatório.
Talvez seja só impressão minha, mas a forma como o guarda do elevador falou comigo parecia até que eu também havia me tornado o Chefe dos guardas da prisão. Seria esse o motivo pelo qual ele estava fazendo uma expressão tão séria?
— Excelente. Faça uma investigação cuidadosa e tenha certeza de me deixar totalmente a par da situação.
— COMO O SENHOR DESEJAR, CHEFE!
Em algum momento, acabei me tornando o Chefe da prisão inteira... era quase como se o sapo dentro do poço tivesse feito a água transbordar e se espalhar pela superfície. Talvez eu seja um homem habilidoso no final das contas.
O elevador finalmente chegou ao seu destino, sacudindo e fazendo um estrondo. Na superfície, os guardas estavam prestando continência, formando uma passagem para mim.
— Chefe, todos os homens foram reunidos para assistir a sua partida!
Eh? Sério? Como diabos as coisas acabaram assim?
— ...Bom trabalho. Continuem fazendo o seu melhor e gradualmente tentem interagir com os prisioneiros lá em baixo. Sim, esse será o melhor curso de ação daqui para frente.
— AO SEU COMANDO, CHEFE!
Caminhando pela fileira de guardas, cheguei até uma carruagem que se encontrava no final do caminho.
Eles prepararam até mesmo uma carruagem…
Quando cheguei na prisão, eu não fazia ideia do que poderia acontecer, mas agora sentia um pouco de tristeza ao ter que partir.
Adeus, Prisão de Kudan.
— CHEFE! AGUARDAREMOS O SEU RETORNO EM BREVE!
No final, todos os guardas levantaram suas vozes e começaram a torcer por mim. Em outras palavras eles queriam que eu fosse encarcerado outra vez!? Sei de nada disso não... talvez?
— Cara... o que diabos foi isso?
Quando entrei na carruagem, o Príncipe Arc falou comigo e ao lado dele, Iris estava com uma expressão incrédula. Os dois provavelmente estavam tão preocupados comigo que vieram pessoalmente me receber. Eu realmente tinha bons amigos.
— DESPERDICEI O MEU TEMPO ME PREOCUPANDO COM VOCÊ, KURURI HELAN! DAQUI PODÍAMOS OUVIR O CLAMOR DOS PRISIONEIROS NO SUBSOLO E VOCÊ ATÉ MESMO ADESTROU OS GUARDAS! QUE MERDA ANDOU FAZENDO NESTE LUGAR!? NÃO ERA PARA VOCÊ TER SIDO ENCARCERADO!?
— E eu fui, mas não foi nada demais. O pessoal daqui foi muito legal comigo e eu até consegui um sofá.
— Foi isso mesmo? Nunca imaginei que a Prisão de Kudan fosse um lugar tão honesto. Mas me fale uma coisa, o que eles queriam dizer com “Chefe”? Parecia até que estavam se referindo a você...
— Não só parecia, eu realmente me tornei o Chefe desse lugar. Príncipe, se qualquer dia você acabar parando aqui, não se esqueça de me pagar o devido respeito.
— Eu jamais pisarei num lugar assim! Ou melhor, você também nunca mais virá novamente!
Bem, isso pode ser verdade. Tudo bem, eu não me importo que você não pague meu devido respeito, então.
— Não importa em que lugar esteja, você é sempre o mesmo, Kururi. Ah, fiquei tão preocupada atoa. Talvez eu devesse ter tido mais fé em você. Acho que teria sido melhor ficar sentada tomando uma xícara de chá preto e esperado.
— Exatamente, minha cara Iris. Você finalmente começou a entender o tipo de cara que eu sou.
— É, eu sei. Nós estamos nesse tipo de relacionamento já a um bom tempo, não é?
— “Relacionamento”!? Ei, Kururi Helan! Que tipo de relacionamento ela está falando!?
— Quem sabe, Príncipe? Só posso dizer que se trata de algo anterior a quando o conhecemos.
Bem, fui capaz de provocar um pouco o Príncipe, ao mesmo tempo conversar com a doce Iris após ficar tanto tempo sem vê-la. Isso era tudo o que eu queria fazer agora, mas claro, as circunstâncias não me permitiam relaxar ainda.
— Só poderemos lhe acompanhar metade do caminho. Você vai precisar ir sozinho para o tribunal, mas não se preocupe, nós reunimos evidências suficientes. Não vai demorar muito até que sua inocência seja provada.
— Fiquei sabendo pelo Rail que vocês trabalharam muito para me ajudar. Obrigado, Príncipe. Ah! Não esqueça de agradecer ao Lahsa por mim.
— Faça isso você mesmo. Depois que tudo acabar, sua vida voltará a rotina de sempre na academia, então tenho certeza de que achará alguma oportunidade para agradecê-lo.
O que o Príncipe disse era verdade. Então, eu simplesmente iria me encontrar com ele depois. De qualquer forma, agora que parei para pensar, o Lahsa não veio com eles? Por quê? Estava certo de que era o mais ansioso de todos... talvez tenha ficado atarefado com outras prioridades.
— ...O Lahsa não veio com vocês?
Eu não precisava perguntar, mas por alguma razão, a pergunta saiu naturalmente da minha boca. Foram palavras ditas de maneira leviana, mas pude perceber que a expressão do Príncipe endureceu por um segundo.
— Meu irmão não estava se sentindo bem. Ah, mas você irá encontrá-lo muito em breve.
— Algo aconteceu a ele?
— Não, não foi nada demais. Ele apenas não se sentiu bem. Sério...
Algo estava errado. Será que aconteceu alguma coisa ao Lahsa? Embora não parecesse ser algo sério, eu sentia que o Príncipe não estava sendo sincero comigo. O que teria ocorrido? Uma emergência? Os dois estavam escondendo alguma coisa de mim? Eu queria perguntar, mas ao mesmo tempo, pensei que seria rude tentar pressionar os meus dois amigos que vieram até aqui apenas para me ver, então decidi ficar quieto.

◇◇◇

Com relação aos acontecimentos posteriores, cheguei ao tribunal com tamanha saúde que deixou os membros da Família Dartanel chocados. O julgamento em si ocorreu de maneira linear e totalmente favorável a mim, sendo o testemunho do Zeni Geba o golpe decisivo para provar a minha inocência, absolvendo todos os crimes. O resultado levou até mesmo ao Brau Dartanel — o qual havia me acusado — vir pedir desculpas a mim. Essa rápida mudança de atitude e a falta de vergonha na cara, mostraram que ele não era o líder da maior família de comerciantes a toa. Ele inclusive disse que me daria uma compensação financeira, algo que aceitei com muito prazer.
— Essa é uma quantia insignificante... Achei que você iria recusá-la...
— Só o seu sentimento já basta, portanto isso não passa de um troféu de vitória. Por hora, vamos apenas dizer que a vitória dessa batalha foi minha. Além disso, eu estou de volta em saúde perfeita e você não acha que muito em breve os guardas corruptos irão começar a falar o seu nome?
—  ...De fato. Tudo bem, você foi o vencedor, eu admito isso.
Hmm, algo não parece estar certo... Não gosto disso, mas se assim ele quiser, não me importo de enfrentá-lo novamente outro dia. De toda forma, está na hora de começar a ganhar um pouco mais de confiança em minha própria força também.

◇◇◇

Minha calma rotina no Palácio Real havia retornado. Embora grande parte das minhas férias tenham sido passadas na cadeia, a Prisão de Kudan foi um lugar tão acolhedor que eu poderia considerá-las como férias também. No entanto, o período em que pude relaxar foi por apenas um breve momento. Não tenho certeza se a informação havia vazado, mas descobri sobre um certo incidente que havia sido espalhado pelas ruas da Capital e estava sendo fofocado por todas as mesas de bares. O motivo para a história ter chegado até a mim foi devido a chegada de um repórter que veio nos fazer uma visita.
Como o Lahsa não tinha vindo me encontrar, eu estava bem entediado, por isso decidi lidar com o repórter que havia entrado no palácio, só por curiosidade.
— Eu gostaria de escrever em detalhes um artigo que será intitulado “A Grande Colisão Entre Duas Casas Nobres”, portanto o senhor gostaria de me contar a sua história?
— Se for algo rápido eu não me importo. Afinal, não tenho nada melhor para fazer mesmo.
— Existem rumores de que a Família Dartanel foi a responsável pelo impasse. Qual seria a origem para tudo isso?
— Origem? Hmm, uma mulher... eu acho.
“Será que o incidente com a Iris foi realmente a causa de tudo?”
— Oh, uma mulher. Eu sabia...
Como assim você sabia? Se bem que talvez a maioria dos incidentes comecem assim.
—  E por qual razão essa mulher levou a uma colisão frontal entre duas casas tão distintas?
— O que levou? Hmm, dinheiro... eu acho.
Como Fregen substituiu os seus frontais por dentes de ouro e usou isso como evidência do ataque, foi quando as coisas ficaram realmente complicadas.
— Ah, dinheiro. Eu sabia...
Como assim você sabia? Se bem que talvez a maioria dos incidentes comecem assim.
— Pode ser um pouco indelicado, mas eu gostaria de verificar a veracidade de outro rumor... Se não se importa, é verdade que você foi encarcerado na Prisão de Kudan?
— Sim, é verdade.
— Oh... se houver qualquer coisa que queira dizer sobre isso...
— Foi bem confortável.
— Confortável, hein... O senhor se destaca não importa onde esteja. Eu não esperava nada menos do grande vencedor deste incidente. Dou-lhe os meus sinceros parabéns.
O “Grande Vencedor”... Algo nas palavras dele me incomodou, mas decidi não ligar para isso.
— Agora, quais os seus pensamentos sobre a queda das famílias Dartanel e Deauville que, após a Casa Dartanel enviar ao Rei inúmeras evidências de corrupção, abdicaram da posição de Primeiro-Ministro?
— O QUE FOI QUE VOCÊ DISSE!?
— Eh? Bem, comente o que acha da queda de Dartanel e Deauville...
— EYAN DEAUVILLE ABDICOU DE SER O PRIMEIRO-MINISTRO!?
— Be-bem, sim... você não ficou sabendo?
Imediatamente me levantei. Eu queria correr para algum lugar, mas para onde? Então os crimes de Eyan Deauville finalmente vieram à tona..., mas não foi muito rápido? Além disso, por que ninguém me contou uma coisa tão importante? O Príncipe sabia disso? Não havia como ele não saber! E a Iris? É claro que ela sabia! E quanto ao Lahsa? Para onde ele foi?
— Sinto muito, mas eu tenho uma emergência. Por favor, eu peço licença.
Deixei o repórter na sala e fui procurar pela Supatifila-san. Ela normalmente ficava por perto, mas estranhamente eu não a vi muito esses dias.
— Onde está o Lahsa!?
— Lahsa-sama não está se sentindo bem, portanto o senhor não pode ir vê-lo...
— Não, eu preciso encontrá-lo agora! Leve-me até ele!
— ...Por favor, não culpe o Príncipe pelo ocorrido, Kururi-sama. Não havia nada que pudesse se feito...
— Do que você está falando!? Apenas me deixe ver o Lahsa agora, então irei perguntar diretamente a ele o que aconteceu.
Assim, Supatifila-san levantou seu corpo pesadamente e me guiou até o quarto do Lahsa. Ela então bateu gentilmente na porta.
— Príncipe Lahsa, Kururi-sama veio visitá-lo.
Não houve qualquer resposta.
— Lahsa, sou eu, Kururi. Por que você está aí dentro trancado?
Após um instante, uma voz veio do outro lado da porta.
— ...Eu não tenho o direito de me encontrar com você.
— Por quê? O que é esse peso que você acha que precisa carregar sozinho?
— Eu não pude fazer nada... enquanto eles levavam você, eu tentei o máximo que podia, mas não pude fazer nada! Eu não sabia como te ajudar...
— Do que você está falando? Veja, estou são e salvo! Eu voltei sem nenhum arranhão! Não tem nada pelo que se arrepender, Lahsa. Vamos, saia do quarto para termos a nossa reunião.
— ...Eu não pude... eu não pude fazer nada para te ajudar... ajudar a proteger uma única coisa importante para você!
— Coisa importante? Que coisa?
— ...
Mais uma vez o quarto ficou em silêncio. Atrás de mim, Supartifila-san se recusou a olhar nos meus olhos.
— O que aconteceu? Fale comigo. Eu não sei o que fazer... por favor, Lahsa.
Após alguns instantes, a pesada porta se abriu e de lá, surgiu um Lahsa com olhos profundamente vermelhos.
— Aniki, nós não sabemos... nós não conseguimos descobrir onde a Eliza-san está. Eu sinto muito... eu sinto muito mesmo... Isso é tudo porque eu sou um inútil incompetente.
— ...A Eliza... a Eliza sumiu por vontade própria?
— ...Sim.
— Por acaso foi você que a forçou?
— ...Não.
— Então por que está se desculpando? Por que a culpa seria sua?
— Eu não consegui proteger a Eliza-san. Eu não consegui mesmo sabendo que isso poderia ter acontecido a ela.
— Não seja arrogante. Ninguém poderia ter previsto isso e mesmo se você pudesse, a responsabilidade não é sua. Não há qualquer razão para se desculpar ou sofrer por isso.
— Mas, mas... mas eu...
— Lahsa, você deu o melhor que podia, não foi? Só em saber disso o meu coração já enche de alegria. Agora, meu astuto e perspicaz, mas também encantador irmãozinho. Eu irei partir agora para encontrar aquela princesa teimosa que desapareceu sem dizer uma palavra. Você viria comigo? Eu posso contar com a sua ajuda?
Eu não fazia ideia de o porquê a Eliza decidiu desaparecer, mas ela não era uma pessoa tão frágil assim. Nós apenas precisamos encontrá-la e isso era tudo.
— Eu vou... EU VOU AJUDÁ-LO COM TUDO DE MIM!
Ele desesperadamente conteve as lágrimas para terminar sua resposta. Lahsa, não há razão para você sofrer por mim. Você deve estar sempre sorrindo, isso é que me fará feliz.

◇◇◇

Nós conversamos muito sobre a Família Deauville. De grandes a pequenos, os crimes de Eyan Deauville foram diversos. Uma vez que a rolha seja solta é impossível impedir que o seu conteúdo vaze. Não havia a menor possibilidade em esconder e era simplesmente impossível se defender de tantas coisas. O Rei decidiu reconhecer todas as conquistas que ele havia realizado até agora lhe concedendo o perdão real, porém sua fortuna inteira foi confiscada a fim de apaziguar os ânimos públicos.

A Família Deauville perdeu sua casa, seu prestígio e sua fortuna. O golpe que Eyan Deauville recebeu foi tão forte que ele sequer deu ouvidos ao que sua esposa e filha, que lhe imploravam para recomeçar tudo do zero. Assim, o demônio sussurrou em sua orelha. Brau Dartanel propôs que Fregen e Eliza se casassem. Dessa forma, ele poderia lhe garantir uma posição e dinheiro, caso aceitasse. Ao que parecia, Fregen já estava de olho em Eliza... Ela recusou e Tsukimi-san foi contra, mas Eyan havia sido duramente enfraquecido, tanto em corpo quanto em alma. Ele não pode resistir ao cheiro tentador desse doce veneno e aceitou a oferta sem avisar ninguém.
Tsukimi-san não conseguiu perdoá-lo e, já que originalmente pertencia a uma nobre família de outro país, ela decidiu ir embora em um navio levando Eliza consigo. No entanto, no dia da partida, Eliza fugiu do navio sem que ninguém percebesse, levando a situação atual. Dessa forma, Eyan perdeu não apenas a sua fortuna, mas sua preciosa família também acabou em pedaços.

◇◇◇

— ...Obrigado por me contar tudo.
— ...Eu devia ter feito isso mais cedo, mas... eu tinha medo... medo de te desapontar...
— Lahsa, sei bem como você se sente. Eu também teria medo de te desapontar.
— ...Obrigado. Nii-san e Rail estão procurando por ela agora. Mas eles não conseguiram qualquer pista.
— ...Tudo bem, nós vamos sair assim que eu me trocar.
— Você tem alguma ideia?
— Nenhuma, mas é muito melhor do que ficar esperando.
Depois de uma mudança completa emocional, tomei o determinado Lahsa comigo e fomos atrás dos rastros de Eliza. Nós visitamos o Eyan-san, mas ele não tinha ideia de onde ela pudesse ter ido. Quanto a Tsukimi-san, ela já havia embarcado para outro país. Portanto, nossa única alternativa seria investigar a mansão... Ela já havia sido vasculhada, mas precisávamos de qualquer maneira!
Eu bati na porta, mas ninguém respondeu. Esta casa perdeu seu proprietário, mas continuava sendo um lugar especial. Apenas o Primeiro-Ministro e sua família eram permitidos morar e quando a posição ficava vaga, a casa era gerenciada pelo mordomo. Caso ele recusasse a nos receber, a única forma de abrir essa porta seria através da força.
— ABRA A PORTA!
— ABRA A PORTA!
Lahsa e eu ficamos irritados por ninguém vir nos receber, então começamos a bater nela com mais força. Nós precisávamos bater e iríamos fazer isso até que ela fosse aberta!  Não sei por quanto tempo ficamos fazendo isso, mas estranhamente a porta parecia ter ficado mais leve. Espere, não só parecia, ela realmente foi aberta!
— Vocês irão machucar as mãos se continuarem assim!
— Flotar! Onde está a Eliza!? Para onde a Eliza foi!?
— Ninguém da família Deauville mora mais aqui. Mesmo que eu a tenha servido antes, ela já não possui mais o direito de entrar.
— Então ao menos me diga alguma coisa que tenha ouvido! Alguma coisa que a Eliza tenha dito!
— ...Como mordomo, eu não posso abrir minha boca levianamente. É uma questão de confiança.
— Quem se importa com isso! Se você sabe alguma coisa sobre a Eliza, me conte agora!
— Eu me importo. Como mordomo essa é uma questão crucial.
— ARGH! Tá, entendi! Você não tem qualquer ligação emocional com seu antigo patrão! Você é um mordomo leal e perfeito que se dedica somente ao trabalho! Mas vou te dizer uma coisa, um dia o seu trabalho vai ser substituído por uma máquina qualquer!
As palavras que acabei de proferir saíram em um ataque de raiva, por isso acabei me arrependendo depois. A culpa não era de Flotar. Tudo o que ele fez foi cumprir fielmente o seu dever. O que estava fazendo agora não passava de uma birra infantil que iria simplesmente bater em qualquer coisa em minha raiva.
— Como se uma máquina pudesse realizar o papel de um mordomo!
— Elas irão! Olhe para como você faz o seu trabalho! Não há a menor diferença entre você e elas!
— Pirralho, eu não irei ficar parado assistindo você denegrir a minha profissão! Ouça bem! Um mordomo também sente afeição! Ainda mais por mestres tão extraordinários! O que irei dizer agora não passa de um resmungo para mim mesmo, então ignorem tudo o que vão ouvir, entenderam!? Minha antiga Mestra, Eliza-sama, ama bolo chiffon. Na manhã em que desapareceu, lembro-me dela ter dito que gostaria de comer algumas batatas no extremo leste! Obviamente ela é alguém que ama bolo chiffon!
Batatas no extremo leste...?
— Aniki, você percebeu alguma coisa?
— Sim, ao extremo leste da Capital Real fica...
Se for restrito a este país, então no extremo leste existe um lugar muito especial.
— O TERRITÓRIO HELAN! ELIZA FOI PARA HELAN!
— ANIKI, VAMOS LÁ! SE FORMOS AGORA, PODEMOS ACABAR ENCONTRANDO ELA NO CAMINHO!
— É mesmo... CERTO, VAMOS LÁ!
Lahsa e eu partimos com tudo para nos encontrarmos com ela.

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