Sugar Dark Lightnovel Segunda Cova 8

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CAPÍTULO 8

— Que incrível, tu foste capaz de completar uma cova tão grande em míseros quatro dias.
Honestamente falando, nenhuma pessoa comum pensaria que o buraco gigante era uma cova apenas ao olhá-lo. O resultado de tudo aquilo, o que fez os braços de Muoru incharem por causa da tensão, parecia um local de escavação de alguma ruína histórica.
Ele já sentia que a pá de cor prateada, a qual lhe foi presenteada em sua chegada, ser tornara algo como uma companheira. É claro, não fazia muito tempo que a tinha, porém, durante este breve período, com certeza não era inconveniente. Sua antiga pá podia até ter sido feita a partir de bons materiais, mas esta era muito mais leve. Se manejasse-a milhares de vezes por dia, seu peso baixo seria definitivamente útil para seus braços. E não importava o quanto a usasse, ainda permanecia afiada. Porém, mais importante que isso, a lâmina era larga, permitindo que retirasse mais terra com cada pazada do que antes. Também, seu cabo foi feito de maneira engenhosa, para que fosse mais fácil carregar a terra.
A ideia de perder sua companheira após esta cova, caso falhasse em sua missão, o deixava triste. Pensou que ela com certeza o ajudaria a ter êxito. Mas é claro, sua principal motivação não podia ser comparada ao seu apego à pá.
— Sendo honesto, realmente aprecio vosso esforço. Tu provavelmente estás cansado, então peço-lhe, retorne e descanse — disse Daribedor com um sorriso, mas este sorriso não era de forma alguma uma recompensa.
Muoru se preparou para partir, mas, então, lembrou-se de algo e parou.
— Ah, queria te perguntar uma coisa — disse Muoru, olhando por cima do ombro para o velho de baixa estatura. — Seria melhor se eu não dormisse esta noite? Quero dizer, vou ter que trabalhar direto? — As palavras que usou nesta pergunta implicavam: Um monstro virá esta noite?
— Talvez. Bem, sim, seria bom. — As rugas ao redor da boca de Daribedor parecerem aprofundar.
Muoru deu um leve aceno e partiu.
Uma coisa a menos para confiar ao destino.
Porém, ao mesmo tempo, tinha um tempo limite definido.
Lavou-se no reservatório e, então, passou o resto do tempo que o sol levou para começar a se pôr no cemitério sob a árvore gigante.
Foi até o túmulo de Maria, próximo à árvore, e colocou uma flor desconhecida diante da lápide. Se parecia mais com mato, sendo apenas algo que pegou nas redondezas, mas supôs ser melhor do que nada.
Então, fincou a pá na terra e colou a flor no chão.
Quando terminou, recostou-se no tronco da árvore e observou o sol do final da tarde se pôr no que parecia ser sua última vez.
Quando se pôs à distância, sumindo por detrás da profunda e escura floresta, pensou que o sol era grande, quente e até mesmo gentil.
Em algum momento, cochilou e teve um sonho. Nele, relembrou-se das costas fortes e robustas de seu pai. Isso criou uma sensação de solidão, fazendo-o desejar poder vê-lo mais vezes todos os dias. Até então, não fazia ideia de quão importante era para ele.
A noite chegou.
A última noite.
Não havia necessidade de procurar por Mélia; ela veio quase que no mesmo momento em que o sol se pôs.
Aquela noite, quatro dias atrás, ela parecia miserável após ouvir que não se veriam mais. Até mesmo seu manto escuro que usava parecia ser de uma tonalidade mais escura.
E agora, ele foi guiado pela vontade de confortá-la enquanto estava ao seu lado, mesmo se tivesse que mentir. Mas não poderia. Se lhe dissesse o que faria logo mais, ela com certeza seria contra.
E era preferível que Mélia não soubesse disso.
Ele era realmente uma pessoa cruel. E mesmo que sua falsa acusação fosse esclarecida, precisaria suportar o fato de tê-la machucado como punição.
Se eu tiver que me punir por causa disso, não seria apenas um prisioneiro normal. Eu me colocaria em um corredor da morte, com toda a certeza.
— Muoru... — A garota chamou seu nome com uma voz que parecia desprovida de energia.
Então, olhou para o chão por um tempo, agarrando as mangas, como se quisesse dizer algo. Muoru não se atreveu a olhar para o rosto dela.
Mesmo agora, sentiu que era covardia.
— É aqui que nos despedimos. — A garota finalmente disse, após o longo silêncio.
— Isso mesmo.
— Se este é o fim... tenho apenas um pedido. — Mélia levantou a cabeça. Seus olhos estavam úmidos, mas seu olhar substancialmente forte. — Olhe para o outro lado — disse ela.
Ele não sabia qual era sua intenção, porém, virou-se de costas para ela no fim.
Isso não pode estar acontecendo..., seja como for, não me apunhale com uma faca. No momento em que teve essa ideia idiota, sentiu um leve impacto, como se suas costas tivessem sido atingidas por uma grande bola.
— Mélia?
Não conseguia acreditar. Ela havia enterrado seu belo rosto em suas costas robustas.
À medida em que ficava enrijecido, ouviu-a respirar fundo.
— Você tem o mesmo cheiro do sol — disse ela, mas ele não ouviu isso apenas pelo ar, também ouviu pela sua pele. — Desejei isso por muito tempo.
Muoru sentiu seu corpo começar a ferver, mas muito além disso, conseguia sentir o calor vindo do nariz e da boca dela pressionando contra ele.
— É apenas fedor de suor — disse ele, sem pensar e sentindo-se um tanto envergonhado.
— Quieto — disse ela, como se ordenasse uma criança travessa.
À noite, o cemitério estava em silêncio. E com os dois também em silêncio, a única coisa que ele conseguia ouvir eram as respirações profundas da garota.
Finalmente percebendo as mãos dela, notou que ela havia cruzado seus braços em sua barriga, sem que percebesse.
Você é astuta. Pensou Muoru no mesmo instante. Deste modo, não posso abraçá-la de volta sem quebrar seu braço, né?
Ali parados, naquela posição, a respiração de Mélia parecia a de uma criança adormecida.
Tentando preservar o silêncio, Muoru virou-se devagar e, com desespero, suportou a vontade de abraçá-la de volta. A sensação parecia ter desaparecido com a mesma lentidão do sol poente, e quando finalmente desapareceu por completo, ele conseguiu ouvir o som de seu coração batendo à mesma medida em que sentia a respiração morna da garota.
Tente dizer isso de novo, pássaro estúpido, pensou o garoto, em sua mente, praguejando sobre o que Corvo dissera.
“A garota é vazia, como se tivesse o coração de um esqueleto.”
Ele não sabia por quanto tempo o rosto de Mélia ficara pressionado em suas costas, porém, pelo menos, foi tempo o bastante para deixar as marcas de suas roupas nas bochechas ruborizadas dela.
— Obrigada — murmurou Mélia para Muoru, depois que ele se virou.
Com grande vergonha, os dois não conseguiram cruzar olhares.
No entanto, a vergonha não era a principal razão do fato de Muoru não conseguir olhá-la direto nos olhos.
— Agora, você olha para o lado — disse ele.
Ainda vermelha, Mélia assentiu uma vez e seguiu o pedido dele com obediência.
Ele tocou o capuz escuro e baixou-o. A visão de seu cabelo era como a beleza vista quando se abria uma caixa de joias.
Empurrou o cabelo com os dedos, revelando sua nuca. Os dois tremeram no momento em que os dedos tocaram a pele dela e, por um momento, Muoru afastou a mão. Mas então, respirou fundo para se acalmar.

Depois, suspirou uma única palavra e colocou seus braços ao redor do pescoço delgado dela... E quebrou-o.

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